Educação Erradicando a Superioridade Ilusória
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Como é gratificante ver um docente trabalhar a transdisciplinaridade em suas aulas, provando que as disciplinas lecionadas não funcionam apenas como partes isoladas. Isso remete à máxima de que “o todo sem a parte não é o todo, é a parte; e a parte sem o todo não é a parte, é o todo”. Ou seja: o educar é um complexo sistema de pequenas e grandes engrenagens. Pode-se remover uma delas e fazer ajustes — o sistema até funcionará, mas não com a mesma efetividade. E assim tem sido a educação: retira-se uma pequena engrenagem aqui, outra ali, e o processo continua, mas sem a mesma perfeição.
Hodiernamente, temos vários exemplos dos resultados deste sistema educacional falho, que entrega à sociedade pessoas com uma superioridade ilusória. Ao aluno não foi ensinado o pensar crítico e, muito menos, a busca pela autonomia intelectual. Por isso, muitos terceirizam o ato de decidir o que e como pensar, ou o que e como fazer, sem ao menos perceber o engodo no qual estão envolvidos.
Indivíduos com este perfil fazem parte de um nicho com menos leitura, menos questionamento e menos pesquisa. Todo o argumento defendido com sua "pseudo-honra" baseia-se nas falas de influenciadores que, cientes da imbecilidade alheia, manipulam esse incauto cidadão, dando-lhe a ilusão de ser um grande sabedor. Observe que até os mais eruditos são conhecedores de suas limitações — como já afirmava Edgar Morin sobre a incompletude do conhecimento. Todavia, para essas pessoas, o saber é algo já definido pelo próprio achismo.
Alguns ecoam as estultices de influenciadores, como religiosos extremistas, políticos que ganham votos produzindo vídeos que exalam chorume, ou até mesmo youtubers formados em "Google e WhatsApp". Estes opinam sobre tudo como se fossem autoridades, prestando um serviço de desinformação para seguidores que veem nisso a mais pura verdade. Em contrapartida, os verdadeiros pesquisadores, habilitados a discursar sobre tais assuntos, são ameaçados de punição por simplesmente exporem os fatos[1].
Conforme ressaltei no texto Efeito Dunning-Kruger Alavancado pelas Redes Sociais[2], as plataformas digitais são as precursoras das imbecilidades em massa. Elas deram voz a idiotas e a liberdade de se falar sobre qualquer assunto sem propriedade, com o agravante de fazer com que inverdades fossem aceitas, refutando inclusive a ciência. O fato é que pessoas que não tiveram a criticidade e o discernimento trabalhados não têm condições de perceber que estão erradas. Assim, qualquer um pode proferir absurdos científicos, sociais ou acadêmicos que, pelo déficit cognitivo do receptor, serão defendidos com honra.
É triste saber que muitos oportunistas vivem dessa massa de manobra, monetizando redes, recebendo dízimos, "doações voluntárias" e votos que elevam a ilusória sensação de poder diante de uma turba alienada. Como ressaltado por Charles Bukowski, a tristeza é causada pela inteligência, pois aprende-se que não existe felicidade plena presenciando injustiça e opressão. Eis o verdadeiro dever da educação: levar a criticidade aos alunos, pois uma educação neutra é sempre o braço forte do enganador e do opressor.