29/01/2026

Educação Elucidando Dog Whistle

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

É imperativo ser intolerante com qualquer forma de intolerância, o que nos remete ao Paradoxo da Tolerância de Karl Popper, o qual elucido em minha obra Educação e Não Neutralidade (Editora Ícone, 2024). Este paradoxo demonstra que a tolerância ilimitada leva, inevitavelmente, ao desaparecimento da própria tolerância. Ao permitir que os intolerantes destruam as bases de uma sociedade aberta, a democracia sucumbe; portanto, defendê-la exige, paradoxalmente, a não tolerância aos intolerantes.

Nesse contexto, a vigilância deve estender-se ao dog whistle (apito de cachorro), tática que utiliza linguagem codificada para transmitir mensagens extremistas a grupos específicos, sem despertar a percepção do público geral. A analogia refere-se aos apitos ultrassônicos audíveis apenas por cães: na política, são sinais percebidos por supremacistas, mas que passam incólumes pela maioria. Identificar tais sinais exige conhecimento histórico e semiótico.

Como exemplo, cito um veículo avistado em Gramado (RS) exibindo o número 18 sob uma Cruz de Ferro. Para o observador leigo, podem parecer símbolos militares genéricos, mas a combinação é um código neonazista: a Cruz de Ferro remete à estética militar do Terceiro Reich, e o número 18 é uma cifra para Adolf Hitler (1 = A, 8 = H). Similarmente, em Araranguá (SC), registrou-se um carro com uma suástica e a frase 'Brasil, guerra civil já', evidenciando a audácia desses grupos.

Dito isso, faz-se mister uma análise mais aprofundada na semântica dessas mensagens, pois nenhuma é inofensiva. Elas carregam uma densa carga ideológica e buscam não apenas normalizar o discurso de ódio e a crença na superioridade racial, mas também banalizar a violência perpetrada por seus simpatizantes. Por meio dessa codificação, conseguem evitar a condenação pública imediata, criando uma zona de ambiguidade que dificulta a resposta institucional e social

Outros exemplos de dog whistles incluem o uso distorcido de lemas como “Deus, pátria e família”, o gesto de “OK” (ressignificado como supremacia branca) e até o consumo de leite em contextos específicos — símbolo de uma pseudociência que liga a tolerância à lactose à pureza caucasiana.

O nazifascismo expande-se como uma patologia social. Para extirpá-lo, é necessário o exercício do discernimento, uma educação crítica e a aplicação rigorosa da intolerância contra ideologias que visam aniquilar o outro."

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