Educação e o Tripé da Alienação
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Estamos em um ano eleitoral, momento em que as pessoas colocam a máscara da hipocrisia, despindo-se completamente da ética e da moral para deixar transparecer, na verdade, uma falsa moral religiosa. O fato é que, para mudarmos de forma efetiva e positiva a nossa política, faz-se mister analisarmos três variáveis essenciais para o desenvolvimento de nosso país e para a nossa própria soberania, que foi colocada neste caldeirão de política suja e oportunista.
É óbvio que a análise destas variáveis deve ser balizada por uma educação de qualidade, que desenvolverá no cidadão a memória crítica, o letramento e a consciência de classe. A memória crítica deverá ser trabalhada por conteúdos como História, Geografia, Sociologia, Filosofia e Antropologia, ou qualquer outra área ligada ao entendimento da sociedade e do comportamento humano.
Interessante perceber que é a falta de discernimento e de memória crítica que faz com que pessoas comemorem o sequestro de um presidente de um país vizinho, esquecendo-se de que tivemos uma situação similar com o presidente que foi preso e que, por uma ação rápida e incisiva do Supremo Tribunal Federal, as pessoas envolvidas em um “golpe” foram detidas. As pessoas se esquecem de que o país imperialista que sequestrou o tal presidente usou como pretexto o narcotráfico e a ditadura. Todavia, a sua real ambição está nas riquezas daquela nação, levando em consideração que se trata de um país com as maiores reservas de petróleo do mundo, superando até as da Arábia Saudita.
A falta de memória histórica faz com que as pessoas não percebam que, em todos os países em que os Estados Unidos da América interferiram, o objetivo foi o controle de recursos naturais, tendo o petróleo como causa principal. Temos como exemplo o Iraque, o Irã, o Afeganistão (depósitos minerais) e a Venezuela; todos ficaram na miséria social, com alto índice de violência, corrupção e descaso com o povo.
Poucos conhecem a Doutrina Monroe, que, em suma, estabelece que os Estados Unidos podem intervir em assuntos internos de uma nação latino-americana, o que, para eles, anula qualquer ideia de soberania regional. Os EUA enxergam tais países como seu "quintal" e exigem total submissão aos seus caprichos. Infelizmente, muitos nativos, inclusive políticos brasileiros de extrema-direita, veem-se como verdadeiros vassalos imbecilizados.
Dando, assim, continuidade às variáveis supracitadas, temos a interpretação de texto. Esta deveria exigir uma melhor compreensão do que se lê, mas falta ao povo o discernimento para entender a semântica das situações. Isso se torna uma estratégia para que religiões façam uso da Teologia do Domínio[1].
Por fim, e não menos importante, a falta de consciência de classe é outro fator que leva a erros crassos. Sem ela, o indivíduo passa a viver em um mundo paralelo, agindo de forma controversa: mesmo sendo assalariado (proletário), defende com a vida uma elite que representa apenas 1% da população — como exemplifica a resistência à taxação dos super-ricos no Brasil.
Enfim, a educação terá um trabalho árduo para que saiamos desta situação. Para que isso ocorra, será necessário desenvolver a criticidade e o protagonismo cognoscente de nossos alunos, enquanto a elite pleiteia apenas o emburrecimento das massas para que o cenário se perpetue.
[1] http://gestaouniversitaria.com.br/artigos/educacao-elucidando-a-teologia-do-dominio