03/02/2026

Educação e Laicidade: Caminhos para combater a Irracionalidade do Dominionismo

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806.

 

O dominionismo é um projeto político-religioso de grupos neopentecostais e fundamentalistas que tem o intuito de fazer imperar as leis bíblicas em detrimento da vida pública e do Estado, fazendo com que cristãos assumam o controle das esferas da sociedade: governo, educação, mídia e economia. No referido contexto, isso é corroborado por Schmidt (2025)[1] ao afirmar que se trata de um projeto de poder impulsionado por lideranças evangélicas com o intuito de tomada de controle das esferas estratégicas citadas acima.

O dominionismo não coexiste com o Estado e, segundo Pinheiro e Tonini (1992)[2], a religião deve ser usada no processo de dominação social, fazendo com que as pessoas sejam submissas a Deus e, principalmente, aos "escolhidos por Ele". Tal visão é complementada por Schmidt (2025) ao discorrer sobre a Teologia dos Sete Montes, a qual se embasa na hermenêutica bíblica citando batalhas espirituais e exigindo que os cristãos se apossem das sete esferas sociais: governo, educação, mídia, artes e entretenimento, família, religião e negócios.

O dominionismo faz com que as leis civis sejam submetidas às leis bíblicas e, segundo Paula et al. (2025)[3], compartilha a ideia de que a sociedade deve ser moldada pelo viés de uma cosmovisão cristã, submetendo a vida pública a uma teologia única. Isso tenderá a gerar perseguições políticas, sociais e culturais para quem divergir dessa ideologia, o que banalizará qualquer tipo de intolerância.

A nossa Constituição resguarda a laicidade do Estado; entretanto, com o dominionismo, todo o processo democrático é desconsiderado, visto que haverá uma imposição de valores morais e seletivos via legislação, cujo fomento é a mistura de religião e política por fundamentalistas pentecostais.

Uma forma de salvaguardar o dominionismo é trabalhando a base armada, como a polícia, forças especiais e tropas de choque, dentre outras instituições que se encontram na sociedade para resguardar a ordem e a lei. A estratégia de se trabalhar a base armada se dá pela lógica de que quem tiver o controle do território poderá impor seus valores, o que reforçará e enraizará ainda mais o dominionismo.

É interessante pontuar que a lei será exercida por meio de uma autoridade moral absoluta e inquestionável, amparada pelo fanatismo, pela convicção e pela alta seletividade de quem merece ou não proteção, bem como repressão. No segundo caso, isso implica na banalização da violência e, em casos mais extremos, na execução de pessoas divergentes, por meio de uma seletividade naturalizada na qual não se enxerga cidadania, mas sim "violência moral".

O dominionismo é um regime político-religioso que se estabelece por meio da infiltração cultural e moral das instituições responsáveis pela ordem e pela paz. Ocorre por meio de discursos de valores distorcidos e da demonização de quem pensa diferente; como saída, a violência passa a ser vista como um dever moral e permitida por Deus.

Visto que o dominionismo leva a sociedade à irracionalidade devido ao fanatismo, uma forma de combatê-lo é por meio da desconstrução teológica que alicerça a interpretação literal do Antigo Testamento — o que é uma contradição em relação ao Novo Testamento. Além disso, é necessário trabalhar uma educação laica, promovendo a importância do Estado laico, que oportuniza a liberdade de crença e a tolerância religiosa, ressaltando sempre a diferença entre fé e política.

 

[1] SCHMIDT, Roberto Flores. Dominionismo: Fé, Poder e Política. A Gramática Religiosa do Bolsonarismo. Editora PUC, 2025. Disponível em: <https://editora.pucrs.br/anais/1422/assets/edicoes/2025/arquivos/16.pdf>

[2] PINHEIRO, L. F.; TONINI, E.. A Religião no Processo de Dominação Social: Estudo sobre as relações sócio-culturais entre trabalhadores temporários e pequenos produtores.. Ciência Rural, v. 22, n. 3, p. 345–351, set. 1992.

[3] PAULA, Carolina Gasbarro de. et al. Teologia do Domínio e o Apagamento Cultural Negro: Perspectivas Críticas e Resistências na Teologia Negra e Decolonial. Interference Journal Volume 11, Issue 2 (2025), Page 7371-7391. Disponível em: <https://interferencejournal.emnuvens.com.br/revista/article/view/523/525>

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