Educação e a Sociedade do Espetáculo
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Foi com Guy Debord em Sociedade do Espetáculo (1967) que se percebeu que o espetáculo, algumas vezes, serve para desviar o foco da situação real. Nesse sentido, Belloni (2003)[1] ressalta que a obra de Debord é vista como complexa e polêmica, evocando radicalidade e até um caráter revolucionário com ideias subversivas, ao confrontar a manipulação exposta no espetáculo, cujo objetivo é fazer com que esqueçamos os fatos.
Para Zuin (2013) [2], a sociedade do espetáculo faz referência à sociedade contemporânea na qual, segundo a nova ontologia, “ser significa ser percebido”.
Veja que interessante: sempre que surge um escândalo político e/ou religioso, a mídia ou os personagens ligados à situação em si criam um subterfúgio ou algum comentário que tira a atenção do escândalo, fazendo com que o foco se desvie e caia no esquecimento. Assim tem sido quando há desvio de dinheiro público, prisões, escândalos de corrupção, assédios ou qualquer tipo de violência que esteja ligada a alguém que detenha controle e poder.
Falar de Debord em Sociedade do Espetáculo é apostar na ausência de sinapse cognitiva, é adentrar no comportamento imitativo, no qual impera o declínio do ser para o ter, e do ter para o parecer. É onde ocorre a paralisia do diálogo, isso porque o espetáculo é o oposto ao diálogo, o que corrobora com Harari (2016)[3] ao abordar o conceito de realidade imaginada, cuja mentira é compartilhada como verdade. O espetáculo tem seu cerne na produção dessa realidade, e a mentira é a norma visível.
As ideias de Debord estão em demonstrar que, quanto mais o espectador contempla, menos ele vive, e essa passividade passa a ser um terreno fértil para a manipulação política e religiosa. Para Debord, a vida real é substituída por sua representação — e temos acompanhado isso em nosso dia a dia. Assim, percebemos que o indivíduo abdica de sua capacidade de ser para apenas parecer, ostentando algo que jamais possuiu e tornando-se um espectador passivo, fruto da alienação que escolheu como próprio caminho.
Para Belloni (2003), a sociedade do espetáculo está sempre a “serviço dos especialistas em dominação”, e Gobira, Lima e Carrieri (2015)[4] complementam ao afirmar a importância do pensamento de negação prática de toda submissão à sociedade, o que é denominado pelos autores como teoria crítica.
Assim sendo, cabe à educação encontrar meios para que o aluno desenvolva sua teoria crítica por meio da autonomia intelectual e do fomento à criticidade.
[1] BELLONI, M. L.. A formação na sociedade do espetáculo: gênese e atualidade do conceito. Revista Brasileira de Educação, n. 22, p. 121–136, jan. 2003.
[2] ZUIN, A. A. S. A sociedade do espetáculo e a reconfiguração da autoridade pedagógica. Educar em Revista, Curitiba, Brasil, n. 50, p. 207-222, out./dez. 2013. Editora UFPR
[3] HARARI, Yuval Noah. Sapiens - Uma Breve História da Humanidade. 18 ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2016.
[4] GOBIRA, P.; LIMA, O.; CARRIERI, A.. Uma "sociedade do espetáculo" nos/dos estudos organizacionais brasileiros: notas críticas sobre uma leitura incipiente. Cadernos EBAPE.BR, v. 13, n. 2, p. 257–285, abr. 2015.