10/02/2026

Educação e a Navalha de Ockham

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

A filosofia sempre nos auxilia a entender melhor a sociedade e o mundo. Como exemplo, temos o filósofo inglês Guilherme de Ockham (1285–1347), um pensador atuante nos campos da lógica, ética e política. Um de seus principais conceitos ficou conhecido como Navalha de Ockham, que se baseia no princípio de que a solução de problemas deve buscar explicações construídas com o menor conjunto de elementos possível; ou seja, muitas vezes a solução é mais simples do que parece.

Essa ideia nos remete ao Nó Górdio, episódio bem trabalhado no livro Educação: um Ato Político, publicado pela Autografia, 2019. Ao se deparar com uma carroça amarrada e a profecia de que quem desatasse o nó reinaria sobre toda a Ásia, Alexandre, o Grande, após muito observar, desembainhou sua espada e cortou o nó da corda. Enquanto muitos tentaram desatar o nó complexo manualmente, Alexandre optou pela solução mais simples e direta, e a profecia se concretizou.

É interessante observar que a Navalha de Ockham afirma que, diante de múltiplas explicações para um fenômeno, a mais simples costuma ser a correta. Entretanto, cabe ressaltar que nem sempre a verdade estará na opção mais óbvia; a simplicidade é, antes de tudo, um ponto de partida metodológico.

Utilizamos esse princípio frequentemente sem nos darmos conta, seja na ciência, no dia a dia ou na educação. Na medicina, o clássico adágio reforça: "Ao ouvir barulho de cascos, pense em cavalos, não em zebras". Isso significa que, se um paciente apresenta coriza e dor de garganta, parte-se do pressuposto de que seja um resfriado comum, em vez de investigar primeiro uma doença tropical rara ou improvável. No cotidiano, o exemplo da internet é claro: antes de supor que o roteador queimou, a Navalha de Ockham sugere verificar se o cabo está bem conectado.

Na educação, a Navalha de Ockham funciona como um guia para a efetividade e eficiência pedagógica, induzindo o profissional a focar no que gera aprendizado real. O conhecimento torna-se mais acessível através de explicações diretas e analogias simples, preterindo definições técnicas abstratas ou repletas de jargões desnecessários.

Cabe observar que essa simplicidade não implica em um ensino raso ou superficial; pelo contrário, significa remover especulações e "achismos" que confundem o estudante.

Dessa forma, o aluno passa a focar mais na semântica (o significado) da informação do que na sintática (a forma), desenvolvendo discernimento, objetividade e raciocínio lógico. Em suma, a Navalha de Ockham é uma ferramenta que nos impede de perder o foco na subjetividade, ajudando-nos a alcançar resultados de forma ética, lógica e ágil.

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