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São Paulo - A capacidade dos países de serem competitivos está diretamente ligada à educação. A educação e a formação profissional de qualidade melhoram o desempenho dos trabalhadores e das empresas, avaliou Fernando Vargas, especialista do Centro Interamericano para o Desenvolvimento do Conhecimento e da Formação Profissional (Cinterfor) da Organização Internacional do Trabalho (OIT) . Vargas participou nesta quarta-feira, 1º de dezembro, do debate Educação Profissional e Competitividade Industrial, realizado no 5º Encontro Nacional da Indústria, em São Paulo.
Segundo ele, o país precisa melhorar a qualidade da educação básica se quiser ganhar competitividade. "Não adianta apenas ir para a escola, é preciso, por exemplo, saber se a criança sabe fazer operações com números. Há mudanças profundas a fazer. É preciso valorizar o professor e ter uma educação fundamental focada em competências básicas", afirmou Vargas. No Brasil, um aluno frequenta a sala de aula por 200 dias em um ano. No Japão, o ano letivo tem 243 dias.
O especialista destacou ainda a importância do desenvolvimento de parcerias, com o governo e atores sociais, para investir e ampliar sistemas de educação profissional. Para ele, outro desafio do país é articular a educação formal e a educação profissional para antecipar as demandas do mercado de trabalho e as necessidades das empresas.
Para ampliar a oferta de formação profissional, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, que também participou do debate, defendeu o estabelecimento de parcerias e alianças entre o governo e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). "Antes de construir novas escolas, o poder público poderia procurar o SENAI que já tem a estrutura física e os profissionais capacitados. Basta o investimento", afirmou. Ele destacou ainda a necessidade de mudanças na educação tradicional e defendeu um modelo de educação continuada no qual o aluno possa trabalhar e aprender ao mesmo tempo.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, afirmou que o crescimento da construção civil nos últimos anos esbarrou na falta de mão de obra qualificada. Segundo ele, a carência de profissionais é um dos grandes dos gargalos do setor. "A construção civil é um segmento nacional. Questões como câmbio, por exemplo, pouco nos afeta. Mas a qualificação profissional e a falta de instrumentos para capacitação, inclusive de gestores, são tópicos importantes para o setor", afirmou.
O gerente de Recursos Humanos da indústria de ônibus Marcopolo, Osmar Piola, disse que a preparação dos jovens para o mercado de trabalho é fundamental para a carreira. "Um bom aprendizado contribui para o aumento da produtividade e da qualidade e para a redução do desperdício", disse Piola. Ele afirmou que a empresa mantém, em parceria com o SENAI, uma escola de formação de mão de obra e para suprir demandas internas.
Para o gerente executivo de Prospectiva do Trabalho do SENAI, Luiz Antônio Caruso, o Brasil tem muitos doutores, mas poucos atuam em empresas gerando inovação. Segundo ele, a implementação de novas tecnologias é mais fácil com a presença de trabalhadores qualificados.
Organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o 5º Encontro Nacional da Indústria reúne mais de 1.500 empresários no Transamérica Expor Center, em São Paulo. O evento que começou nesta quarta-feira, 1º de dezembro, termina nesta quinta-feira, 2 de dezembro.
(Envolverde/CNI)
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