Eco Cidadão conquista prêmio internacional pela segunda vez
Programa de educação ambiental será homenageado no Parlamento Europeu, em Bruxelas
Pelo segundo ano consecutivo, o Programa Eco Cidadão traz para o estado do Rio o título nacional do Prêmio Energy Globe, realizado pelo Ministério do Meio Ambiente da Áustria, em conjunto com a União Européia. Desta vez, a iniciativa venceu a categoria Brasil em razão do projeto Cultivar plantas, cultivar paz. A cerimônia de entrega será realizada no dia 26 de maio, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, capital da Bélgica. O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev é uma das personalidades com presença garantida. O concurso, que premia iniciativas sustentáveis e inovadoras, contou com a participação de 853 projetos de 109 países. No ano passado, a escolha do Eco Cidadão foi motivada pelo sucesso do projeto Preservar o Rio Macaé: Ação de todos. "Estamos muito honrados por sermos novamente reconhecidos pelo trabalho que desenvolvemos. Este prêmio renova as nossas forças. É um estímulo para continuarmos a luta cotidiana, superando as dificuldades e alcançando os resultados esperados", afirma a pedagoga Marielza Cunha Horta, coordenadora do Eco Cidadão.
O objetivo principal do Cultivar plantas, cultivar paz é transformar espaços ociosos e degradados em áreas verdes, produtivas e seguras. A iniciativa conta com seis hortas comunitárias, sendo cinco em Macaé e uma em Carapebus, no Norte Fluminense. A gestão é coletiva e envolve diretamente mais de 300 pessoas, entre alunos de escolas municipais, idosos, portadores de sofrimento mental e mulheres de baixa renda. Todo mês, o Eco Cidadão realiza 10 oficinas práticas e teóricas sobre temas como cidadania participativa, agricultura orgânica, educação para o consumo alimentar, culinária de soja, preservação ambiental, cidadania participativa, pronto-socorro verde, fitocosmética, gestão de resíduos, segurança alimentar e nutricional, organização comunitária, gestão coletiva e alimentação saudável. O programa ensina até receitas de remédios caseiros contra pragas e repelentes para combater insetos.
É importante destacar que o consumo de plantas medicinais e hortaliças aumentou consideravelmente entre os participantes e seus familiares. Muitos já cultivam hortas e jardins produtivos em suas casas. "O intuito é promover a agricultura urbana natural e melhorar as relações sociais entre os grupos envolvidos. Incentivamos o uso de tecnologias sustentáveis, a limpeza urbana, o consumo de alimentos agroecológicos e a incorporação de hábitos saudáveis e práticas solidárias. É um trabalho que cria espaços de aprendizado e convivência, conjugando agricultura urbana, preservação ambiental e cultura de paz", explica Marielza.
O projeto é um dos dois únicos trabalhos desenvolvidos na América do Sul a fazer parte do programa Cidades cultivando para o futuro, executado em nível global por quatro instituições: a Fundação RUAF, da Holanda; o Instituto de Promoção da Economia Social (Ipes), do Peru; o Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento Internacional (IDRC), do Canadá; e o Sistema de Informação de Cargas Perigosas (DGIS), dos Países Baixos. A iniciativa também recebe o apoio da Prefeitura de Macaé, da Purac Síntese e da WBrindes.
Criado há 11 anos, o Eco Cidadão vem tendo o seu trabalho reconhecido pela comunidade internacional desde 2002, quando ficou ente os 40 finalistas do Prêmio Internacional de Dubai para Melhores Práticas, promovido pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat). A iniciativa ainda receberia outros três prêmios da ONU. Em dezembro de 2003, o Eco Cidadão foi homenageado pelo Programa de Gestão Urbana (PGU) com diploma em reconhecimento aos avanços obtidos em Macaé. Oito meses depois, participou do Fórum Universal das Culturas de Barcelona como um dos 42 projetos no mundo que mudaram a realidade das cidades. A última premiação aconteceu em 2006, ano em que recebeu o título de Good Practice (Boa Prática) por parte do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat).
(Envolverde/Assessoria)