Do papel para a internet
Por Eduardo Cunha
Com 127 teses digitalizadas no acervo digital, UnB quer ampliar o banco de dados e dar maior visibilidade à produção científica.
A Biblioteca Central (BCE) da Universidade de Brasília (UnB) tem um vasto acervo da produção feita pela pós-graduação: são 9.902 dissertações de mestrado e 5.706 teses de doutorado. Todas impressas e guardadas em estantes. Mas com a publicação da Portaria n° 13 - em fevereiro de 2006 pelo Ministério da Educação -, que obriga as instituições de ensino superior (IES) a publicar em arquivo digital, disponível na internet, todas as teses e dissertações defendidas a partir de março de 2006, a situação começou a mudar. A UnB já colocou 127 desses documentos na rede e outros 200 estão sendo digitalizados, ainda sem previsão de data para que isso aconteça. Os textos que já estão no ar podem ser acessados pelo site http://www.bce.unb.br.
A coordenadora da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BTDT) na UnB, Neide Gomes, informa que a publicação dos trabalhos de pós-graduação no endereço eletrônico é aberta a todos os alunos e ex-alunos da instituição, independente da época em que a defesa foi feita. “Nossa intenção é aumentar o banco de dados e dar maior visibilidade à produção científica da universidade”, destaca Neide. Para isso, os interessados devem cumprir alguns itens obrigatórios (veja quadro). O professor do Departamento da Ciência da Informação e Documentação da UnB, Murilo Bastos da Cunha, observa que a idéia de digitalizar trabalhos de pós-graduação tem crescido em todo o mundo nos últimos anos.
MIGRAÇÃO - O professor afirma que a medida democratiza o acesso e contribui para avanços na ciência e tecnologia brasileiras. Antes disso, revela Cunha, alunos de diferentes estados desconheciam por completo a produção científica dos demais. “Não basta que o pesquisador faça uma descoberta. O resultado precisa ser divulgado para toda a comunidade”, avalia o docente.
O Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é modelo dessa aplicação, com 100% das teses defendidas em formato digital. O decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, Márcio Pimentel, lembra que alguns institutos da universidade, como o de Geociências, já oferecem teses digitais em suas páginas, mesmo antes da obrigação imposta pelo MEC.
“Estudaremos uma maneira de migrar os trabalhos já digitalizados nos sites de outros institutos e faculdades para a página da BCE. Esse projeto é financiado com dinheiro público e nada mais justo que a sociedade tenha acesso a esse material”, afirma o decano.
REFORÇO - Por meio de uma parceria, assinada no início de 2005 entre a BCE e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), ficou determinado que a UnB disponibilizará os trabalhos na BTDT e que o instituto seria responsável pelo treinamento de dois bibliotecários e um técnico em informática para a implantação do sistema na página da Biblioteca Central.
O programa está em vigor desde março, quando o Ibict destacou um servidor para o programa. O Decanato de Pesquisa e Pós-graduação (DPP) da UnB estuda a possibilidade de contratar um bolsista para ajudar na digitalização das pesquisas.