17/12/2005

Disciplina Resoluções de Problemas estimula estudantes a pensar a sociedade

Por Daniel Milazzo e Giulia Camillo

Problems Based Learning. Também conhecida como PBL, esta é a pedagogia de ensino que a USP Leste escolheu para aplicar em seus alunos. Baseada na solução de problemas concretos, ela é utilizada em várias universidades pelo mundo e vem ganhando cada vez mais espaço nas instituições de ensino.

A equipe pedagógica da USP Leste se inspirou especificamente na experiência da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, que há 30 anos utiliza tal metodologia. Na USP Leste o PBL se dá por meio da disciplina “Resolução de Problemas” – parte da grade proposta no Ciclo Básico a todos os 1.020 alunos do primeiro ano de graduação de todos os cursos do novo campus. Nessa disciplina os estudantes têm que desenvolver um trabalho coletivo, que consiste em destacar e discutir um problema real da atualidade, tendo como referência a comunidade local. O objetivo é analisar cada questão sob vários aspectos, por isso a importância da união de estudantes de diferentes cursos.

Para o desenvolvimento das pesquisas, os estudantes são divididos em 85 grupos, com 12 alunos do mesmo curso em cada um deles. A disciplina é realizada semestralmente e ao final, os trabalhos são apresentados e discutidos entre a comunidade interna e externa em um Seminário Interno de Pesquisa.

Valéria Arantes, coordenadora do Ciclo Básico, ressalta que a interdisciplinaridade é um dos fatores que sustenta a Resolução de Problemas, e que isso é avaliado positivamente pelos estudantes. O contato com alunos de outros cursos visa justamente o enriquecimento da formação individual. Além disso, a disciplina promove uma maior interação entre o ensino da Universidade e as demandas do mercado de trabalho. Outro fator interessante na aplicação da Resolução de Problemas é o aumento da capacidade dos alunos de enfrentarem e resolverem problemas interdisciplinares.

No primeiro semestre deste ano, por exemplo, os problemas tinham como temas gerais: Cidadania e Desigualdades; Qualidade de Vida e Ocupação Espacial; Tecnologia e Sociedade. Um dos grupos do curso de Sistemas de Informação teve como objeto de estudo a comunidade do Jardim Keralux, tendo voltado a pesquisa para o gerenciamento de um programa de inclusão digital – um problema muito atual.

Outro exemplo foi um grupo do curso de Obstetrícia, que estudou a qualidade do exame pré-natal nos postos de saúde da região Ermelino Matarazzo. Além disso, foi também pesquisado o tratamento que eles oferecem às grávidas que são vítimas de violência doméstica. Os trabalhos são feitos em vários níveis da sociedade, sempre voltados para questões de cidadania, como também é nítido no estudo que um grupo do curso de Tecnologia Têxtil fez sobre a vida dos catadores de lixo têxtil na zona leste.

Ulisses Araújo, coordenador suplente do Ciclo Básico afirma que o principal foco da atividade é a pesquisa, e não necessariamente a aplicação das propostas que surgem. Ainda assim, existe a preocupação em se devolver à sociedade o conhecimento desenvolvido na Universidade. “Por se tratar de uma universidade pública, isso é um aspecto muito importante. Cumprimos esse compromisso ao abrirmos as portas à comunidade para a apresentação que ocorre a cada final de semestre, quando o resultado final dos trabalhos é apresentado”.

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