Desafios na educação para os próximos prefeitos
Professoras doutoras da Unisul indicam quais ações os novos gestores públicos precisam tomar para fazer uma educação de qualidade
Nas eleições de 7/10, as professoras da Unisul Leonete Luzia Schmidt, Letícia Carneiro Aguiar e Maria da Graça Nóbrega Bollmann defendem o mesmo partido: a educação. Elas destacam a importância da valorização dos professores da rede pública, da formação de equipes competentes, e reforçam que a participação popular deve ser decisiva nas gestões, guiando as escolhas dos próximos prefeitos.
“O maior desafio, sem dúvida, é assegurar o aprendizado dos alunos”, pontua Leonete Luzia Schmidt. Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unisul (PPGE) e doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), ela acredita que as escolas ainda não cumprem o papel essencial de ensinar. “Muitas crianças passam de ano sem aprender a ler e a escrever. O problema já começa nas séries iniciais. Por isso, elas devem ser o foco das atenções”, argumenta.
Mas para cumprir a missão de fazer com que os alunos realmente aprendam, os próximos gestores públicos precisam dar conta de uma série de questões, ligadas intrinsecamente a este processo. Entre elas, a principal: valorizar o professor. Segundo Leonete, que também é professora da rede pública há 27 anos, os inúmeros trabalhos aos quais o profissional recorre em virtude do baixo salário impedem que ele desempenhe um bom papel na sala de aula.
“Muitos professores trabalham de manhã, à tarde e à noite, em escolas diferentes. Quais as condições deles quando chegam ao terceiro turno do dia?”, indaga Leonete. De acordo com ela, a valorização salarial é imprescindível, porque permitirá que o professor fique mais tempo na mesma escola. “Não adianta implantar a escola integral sem que os professores trabalhem integralmente nelas”, afirma.
Ainda a respeito da remuneração dos professores, Leonete reforça a necessidade de cumprir o piso salarial respeitando o plano de carreira. “Ter um piso nacional foi uma grande conquista da categoria. Agora, é fundamental que o plano de carreira dos professores seja respeitado, porque isso o estimula a se aperfeiçoar, a buscar mais conhecimento”. Além disso, a professora complementa que os próximos prefeitos também precisam estimular a capacitação desses profissionais e assegurar boas condições no ambiente de trabalho.
Para a professora doutora Maria da Graça Nóbrega Bollmann, coordenadora do PPGE da Unisul, a superação desses desafios depende, antes de qualquer coisa, da escolha da equipe. “Na minha opinião, o primeiro e grande desafio dos próximos gestores públicos é escolher um secretário de Educação competente. Alguém que esteja envolvido com a causa e conheça os problemas”, afirma Bollmann, que é doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ).
Compreender que a educação nas cidades deve estar inserida e articulada a um sistema nacional é outro desafio observado pela professora doutora. Ela defende que haja unidade entre os planos educacionais. “Os municípios, em geral, entendem que a educação é local e, com isso, acabam se isolando. Dessa maneira, o que se percebe no país são 5.550 sistemas diferentes e não articulados”.
Municipalização em debate
Outra questão que merece ser discutida é a municipalização do ensino. Muitos professores têm se posicionado frontalmente contrários a essa iniciativa. Isso porque, com ela, a prefeitura assume a responsabilidade do Estado e passa a gerir todas as escolas e funcionários da sua cidade. A professora Letícia Carneiro Aguiar, que também atua no PPGE da Unisul, traz um ponto de vista importante sobre o assunto. Municipalizar o ensino, em tese, significa descentralizar a educação, aproximando-a da sociedade e permitindo maior controle social sobre a coisa pública.
No entanto, ela concorda que o tema é complexo. “Principalmente por conta da forma como a municipalização tem sido conduzida”, justifica. A professora defende que a descentralização da administração da educação seja acompanhada da descentralização dos recursos. “Neste caso, se os recursos também vierem, caberá aos conselhos das escolas participar e fiscalizar. Mas é necessário que eles representem a sociedade independentemente de siglas partidárias”, frisa Letícia.
A partir desta mesma ideia, a professora Leonete Luzia Schmidt sugere eleições para a escolha de diretores nas escolas. “Precisamos de gestões democráticas. Os diretores devem ser escolhidos por professores e pais de alunos”, propõe. De acordo com ela, isso é importante para que os profissionais atendam às necessidades da escola. “Muitos diretores defendem os interesses do partido político que os indicou para o cargo e não os interesses dos alunos e dos professores”. Letícia Carneiro Aguiar completa defendendo que a função dos diretores de escolas precisa mudar. “O que vemos hoje é que o diretor resolve todos os problemas da escola. Menos os pedagógicos”, diz.