Derrida na Educação: Desafiando Dogmas e Construindo a Autonomia Intelectual
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
O filósofo Jacques Derrida trouxe contribuições fundamentais para a educação, especialmente ao propor o redimensionamento do papel da escola contemporânea por meio da desconstrução de verdades absolutas. Nesse sentido, Trevisan (2025) [1] salienta que cabe à instituição de ensino atual promover um ambiente mais inclusivo, diverso e democrático. Isso não implica na subtração do conhecimento técnico, mas na integração das experiências emocionais e subjetivas dos alunos ao processo de ensino-aprendizagem. Assim, a formação tecnicista voltada ao mercado de trabalho deve coexistir com a criticidade e o questionamento das estruturas sociais. O objetivo é desenvolver uma consciência que permita aos alunos não apenas criticar, mas atuar ativamente no status quo por meio do diálogo e da cooperação mútua.
Dessa forma, o cerne do pensamento derridiano reside na desconstrução de discursos dogmáticos e binarismos, incentivando o questionamento de certezas definitivas e a valorização da alteridade. Para o filósofo, a educação jamais deve se limitar a uma igualdade homogênea; pelo contrário, ela deve viabilizar o respeito à diferença e preparar o sujeito para o diálogo, pois, para Derrida, "o futuro começa no presente".
Carolli e Cordeiro (2021)[2] são enfáticos ao esclarecer que o uso de lógicas falaciosas desencadeia preconceitos. Ao analisarem o binarismo "homem e mulher", os pesquisadores defendem a necessidade de desconstruir tal lógica, uma vez que ela veicula conceitos que fundamentam discriminações de sexualidade e gênero. Essa perspectiva é corroborada por Trevisan, Azevedo e Rosa (2021)[3], que destacam a complexidade e os constrangimentos gerados por visões estritamente binárias em searas como crença, etnia e identidade. Tais pensamentos limitam e "robotizam" o intelecto, coibindo a criatividade, a originalidade e a ousadia do pensar.
Na filosofia de Derrida, o ensino é compreendido como um acontecimento que transforma tanto o professor quanto o aluno. Essa visão desconstrói a oposição rígida professor/aluno, tratando-as como posições fluidas. A emancipação do estudante ocorre, portanto, mediante a dúvida, já que a educação é vista como um meio de desestabilizar verdades universais impostas ou manipuladas por elites no poder. Assumir a desconstrução em sala de aula significa adotar uma postura crítica para desfazer certezas e transformar conteúdos em objetos de investigação constante. O professor deixa de ser o detentor da verdade para tornar-se o mediador do questionamento, fomentando a autonomia intelectual do aluno e revelando que "tudo o que é sólido pode se desmanchar no ar" — ideia que converge com a tese de Edgar Morin sobre a incompletude do conhecimento.
Portanto, espera-se que a educação possa alavancar a criticidade dos estudantes, permitindo que fujam de binarismos reducionistas que apenas reforçam o preconceito e a alienação social.
[1] TREVISAN, A. L.. Reflexões sobre filosofia da educação: fantasmas, monólogos e o mal de arquivo da violência escolar. Revista Brasileira de Educação, v. 30, p. e300025, 2025
[2] CAROLLI, A. L.; CORDEIRO, M. J. DE J. A.. A desconstrução de discursos discriminatórios de sexualidade e gênero: apresentando diagnósticos e problematizações pertinentes à Educação. Ciência & Educação (Bauru), v. 27, p. e21072, 2021.
[3] TREVISAN, A. L.; AZEVEDO, M. C. DE .; ROSA, G. A. DA .. Mal de arquivo - Um desafio para a filosofia da educação?. Educar em Revista, v. 37, p. e68475, 2021