Demissões na FGV causam polêmica
Corte de 16 professores provoca controvérsias entre DA e direção.
Atualmente, crises financeiras, contenção de gastos e mudanças administrativas são problemas comuns às instituições particulares de Ensino Superior. Muitas delas, ao passar por estes problemas, acabam optando pelo mesmo caminho: o corte de funcionários e docentes. Decisões que carregam alguns reflexos turbulentos, tais como a insatisfação e o protesto por parte das associações acadêmicas. Esta polêmica começou a rondar, nos últimos dias, os corredores da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas), após as demissões de 16 professores, no fim de fevereiro.
A principal queixa por parte dos alunos, docentes e funcionários da instituição é de que os cortes não foram aprovados pela Congregação, o que tradicionalmente era feito. "Uma ação legal, porém imoral", contesta o presidente do Diretório Acadêmico, Fernando Oshima. "Isso contraria todos os princípios democráticos da casa. A escola caminha para uma centralização de poder, ferindo a tradição de participação e representação de toda a comunidade, que existe há mais de 40 anos", explica.
Segundo nota de esclarecimento divulgada pela administração da instituição, o desligamento sem justa causa, de cerca de 5% do quadro de mais de 300 professores, foi uma decisão administrativa, cujo objetivo era conciliar a excelência na formação acadêmica com a solidez econômica. A ausência da aprovação da Congregação foi justificada pelo fato de que as decisões tiveram um cunho administrativo e não acadêmico, assim não necessitando de quaisquer adesões para serem realizadas, segundo a nota.
A comunidade acadêmica alega, também, que não houve uma justificativa plausível para as demissões e para a escolha dos 16 nomes. "A lista não foi composta apenas por professores com baixo desempenho acadêmico. Infelizmente, outros profissionais, que nitidamente tinha uma postura oposicionista frente à direção da escola, também foram incluídos na relação", afirma Oshima. "Esta postura deixa claro que a direção está disposta a demitir quem for necessário para fazer valer seu projeto de poder."
Como forma de protesto às demissões, os alunos paralisaram a avenida 9 de Julho (em São Paulo), no último dia 23 de janeiro. Os novos passos do Diretório Acadêmico só serão decididos após a reunião da Congregação, marcada para a próxima semana. "Queremos, em primeiro lugar, conversar de igual para igual com a escola. E ainda esperamos construir junto com a direção critérios e objetivos para as demissões de professores. Assim poderemos avaliar a situação de todos os envolvidos no corte e lutar para que aqueles que não se encaixem neste perfil estabelecido retornem à suas atividades", diz Oshima.
Em última instância, segundo o presidente do DA, os professores e alunos vão apelar por uma paralisação. "Neste momento, seria imprudente da nossa parte optar pela greve geral, já que a direção da FGV ainda não foi ouvida. Temos que esperar um posicionamento oficial da instituição e, aí sim, decidir qual será o melhor caminho a seguir", conclui.