Debate mostra preferência pela paridade
Por André Augusto Castro, da UnB Agência
Em discussão promovida por professores, servidores e estudantes, público defende implantação do sistema na UnB
Os defensores da paridade na escolha dos reitores da Universidade de Brasília (UnB) deram uma demonstração de força na manhã de quarta-feira, 21 de maio. Eles foram maioria na platéia do debate sobre o tema promovido por professores, servidores e estudantes no Anfiteatro 9 da instituição, que teve a presença de mais de 100 pessoas. O público favorável à paridade mostrou desconfiança em relação aos argumentos contrários apresentados pelo professor do Instituto de Relações Internacionais (Irel), Carlos Pio (foto).
Pio afirma que nenhuma das principais universidades mundiais, aquelas que têm maior destaque e reconhecimento em rankings internacionais de produção científica, tem na paridade um mecanismo de escolha de reitores e, muito menos, a participação de servidores no processo. "O mais comum são conselhos formados por representantes de governo, estado, professores e até ex-alunos", detalha Pio.
Ele foi muito questionado sobre as brechas para corrupção, corporativismo, desvio de prioridades institucionais, produção de conhecimento, rumos da universidade e interação com a universidade que o atual modelo de representatividade (com 70% de peso para docentes 15% para estudantes e 15% para servidores) abre na gestão da universidade. Para rebater, Pio afirma que muitas decisões da administração universitária podem contrariar interesses de grupos estabelecidos e que a paridade pode comprometer essas decisões.
Ditadura - Para um dos coordenadores do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), Luiz Carlos Souza,a paridade servirá para evitar que a universidade entre novamente em um buraco como o atual. "A ditadura dos professores não deu certo. Com o acompanhamento de alunos e servidores, os dirigentes não poderão fazer o que atualmente vemos acontecer na UnB", reforça Souza.
Pio destaca que ainda não se encontrou um modelo de gestão capaz de tornar servidores, professores e estudantes responsáveis pela garantia do ensino, pesquisa e extensão, finalidades institucionais. Ele acrescenta que entre as universidades brasileiras que optaram pela paridade, nenhuma tem índices de desempenho melhores que a UnB, argumento rebatido por estudantes que apontaram a UFRJ como modelo de instituição que tem paridade e é superior à universidade brasiliense.
Em defesa da paridade estava o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e professor aposentado da Universidade Federal de Pelotas, Luiz Henrique Schuch. Falando para uma platéia majoritariamente favorável a seus argumentos, Schuch afirmou que os processos institucionais na universidade têm de ser pedagógicas, assim como as relações internas e a escolha de reitores.
"Superpresença" - Se a universidade não estimular a divergência e as posições contraditórias, ela tem de tirar de sua fachada o nome universidade", destaca Schuch. Ele reforça que, para o Andes, o processo de escolha de reitores deve ser direto, envolver toda a comunidade universitária e, preferencialmente, ser feito num sistema, no mínimo, paritário. "Rechaçamos as listas de nomeação porque elas não legitimam o dirigente. Isso se dá de baixo para cima e não de fora para dentro", afirma.
Para Schuch, o sistema de lista composta por três nomes é inconveniente porque legitima indicações a partir da superpresença de uma das categorias (professores) em detrimento das demais. "A vida acadêmica é trabalhada em estratos que têm diferentes perspectivas para tratar a instituição e a presença de todas é importante para definir os rumos institucionais", destaca o secretário-geral do Andes.
Entre o público presente, apenas dois professores alinharam-se aos argumentos contrários de Carlos Pio. Os demais, em geral, mostraram-se favoráveis à paridade. O tema continua em aberto na universidade. A comissão para debater o assunto, formada por integrantes do Conselho Universitário (Consuni), ainda não fechou a proposta que será apresentada ao órgão máximo de decisão da universidade. Enquanto isso, professores, servidores e estudantes favoráveis à paridade buscam mobilizar-se para conseguir apoio à causa.
Crédito da imagem: Daiane Souza/UnB Agência
(Envolverde/UnB Agência)