De estudante a profissional
Por Lilian Burgardt
Turbulento, interminável e desolador. Não. Não estamos falando de terremotos, tsunamis ou furacões. Embora estes sejam bons adjetivos para retratar tais catástrofes, neste caso, estão sendo usados para definir a rotina universitária de quem está prestes a vestir a beca e o capelo.
A ansiedade em curtir a formatura e dizer adeus aos trabalhos e às provas aliada ao medo das escolhas do futuro são o que transformam em drama o último ano da faculdade. "Será que estou pronto? Terei uma vaga no mercado de trabalho ou serei mais um na fila dos desempregados?" são questões pertinentes, já que a realidade do mercado de trabalho para o jovem brasileiro não está nada fácil.
Mas pode ser mais fácil do que isso. Antes de dar margem para o desespero e reclamar das dificuldades, é essencial planejar. Especialistas alertam: o último ano da faculdade é só o primeiro passo para a vida profissional. A ordem é: não pare. Comece o quanto antes a corrida para garantir seu pé no mercado de trabalho. Segundo a consultora de carreiras do IBTA, Sandra Zveibil, nos três primeiros meses do ano, em geral marcados pela calmaria do início das aulas, são oportunos começar a idealizar a carreira. Isto significa que, caso ainda esteja fora do mercado, é hora de correr para arrumar um estágio, já que sem experiência as chances de uma colocação ficam cada vez menores. Para quem já está estagiando, é o momento ideal para observar as possibilidades de efetivação na empresa, como também, avaliar o crescimento profissional e o aprendizado na companhia.
Não serei efetivado, e agora?
Será que vale a pena permanecer em um estágio mesmo sabendo que não há a menor possibilidade de ser efetivado na empresa depois de formado? Depende. Se o motivo para ficar é apenas a bolsa-auxílio, saia fora. Esse não é um motivo justo, dizem os especialistas. O que deve contar nessa hora é o aprendizado. "O universitário pode não ser efetivado mas aprender muito no estágio. Neste caso acho que não vale a pena abandonar tudo no último ano", diz Sandra. Segundo ela, pode ser mais útil continuar investindo na experiência profissional mantendo em equilíbrio a rotina de estudos até concluir a graduação do que partir para uma nova empreitada.
Outra dica importante é manter sempre as portas abertas. "O estudante que fica magoado pela não efetivação e a partir disso começa a descontar no trabalho ou na equipe certamente terá todas as portas fechadas", alerta Sandra. Por isso, fique atento: por mais que seu gênio intempestivo queira dominar a situação, o melhor é manter a linha e ser profissional até o "dia do adeus" a seu atual emprego. Saiba mais lendo a matéria "Não feche as portas ao sair da empresa".
Quero uma vaga!
É verdade que a oferta de emprego anda escassa para quem acaba de sair da faculdade. Todo mundo quer gente experiente. E aí começa o círculo vicioso: como adquirir experiência se ninguém quer gente inexperiente? Uma saída, alerta Marisa da Silva, consultora da empresa de recursos humanos Career Center, são os programas de trainee. "Muitas empresas nacionais e multinacionais já dispõem deste processo de seleção para caçar novos talentos. Seus recrutamentos normalmente ocorrem nos meses de junho e agosto, já o início das atividades é marcado para o mês de janeiro do próximo ano", diz.
Mesmo aí a competição é acirrada: estes processos seletivos são muito concorridos, priorizam candidatos experientes e com boa formação. Saem na frente aqueles que cursaram a graduação em uma instituição de ensino superior reconhecida no mercado, ou ainda, aqueles que possuem experiência em sua área de atuação, além de bons conhecimentos em idiomas como inglês e espanhol. (Acesse o canal Carreira e confira oportunidades de estágio e trainee com inscrições abertas).
As agências de RH também podem ajudá-lo a obter uma colocação no mercado. Para especialistas, o ideal é que o jovem faça uma pesquisa de segmentos da economia e empresas-alvo (relacionadas ao seu perfil, experiência e formação) a fim de cadastrar seus dados nos sites ou enviar seu currículo atualizado. "Procurar trabalho dá trabalho. É necessário dedicar algumas horas diárias para a busca de uma nova oportunidade e investir no networking a fim de divulgar sua campanha", reforça Marisa. (Conheça o Universia Empregos e aproveite para cadastrar seu currículo).
Networking: net o quê?
Já ouviu falar no Q.I. (abreviação para "Quem Indica")? Apesar de ser muitas vezes usado como um termo pejorativo, é natural que "conhecer e influenciar" pessoas seja essencial na hora de conseguir um emprego. Tão essencial quanto ter competência e talento para permanecer nele. Networking nada mais é do que isso: a nossa "rede de contatos": amigos, professores e conhecidos que podem indicá-lo para uma vaga ou avisá-lo sobre boas oportunidades. "Quase todas as profissões priorizam as indicações de conhecidos. Para recém-formados não é diferente", ressalta Marisa.
Uma boa dica para fortalecer seu networking é começar com professores e colegas de classe. Em segundo lugar, a internet. É preciso ser criativo para usá-la a seu favor. "Contactar conhecidos por meio de comunidades virtuais como o Orkut, cadastrando-se em grupos que tenham a ver com seu interesse profissional, não só o ajudam a ficar por dentro das vagas, como também auxiliam a traçar melhor as metas para sua carreira", afirma Sandra.
E se você não decidiu ainda o que fazer, outra dica é investir pesado em palestras e eventos que tenham a ver com seu campo profissional. Eles ampliam o leque de oportunidades de cada profissão e ajudam a conhecer gente nova. Além disso, os estudantes que participam de congressos, seminários e palestras normalmente ganham um certificado de participação que lhes conferem no currículo um importante adicional. "Recrutadores vêem com bons olhos estes `bônus´, no currículo dos estudantes, pois mostram o seu interesse em se aperfeiçoar", avalia a analista.
Por fim, Marisa declara que o jovem não só pode como deve ter vivências diversificadas para experimentar, desenvolver suas competências e descobrir em qual área tem mais chance de adaptação. "É importante conversar com professores, profissionais experientes e colegas que estão trabalhando em áreas diferentes, ler assuntos relacionados à futura profissão, matérias que falam sobre negócios, mercado de trabalho e anúncios de emprego em jornais", conclui.