28/05/2010

Curso técnico aumenta chance de carteira assinada, diz pesquisa

Jovens egressos de cursos técnicos têm até 38% mais chance de conseguir um emprego com carteira assinada. O dado é de uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas e do Instituto Votorantim, divulgada na última quarta-feira (27/5).

Aqueles que terminaram o técnico de nível médio têm 44,92% mais chance de contribuir com a previdência social, segundo a pesquisa, intitulada Educação Profissional e Você no Mercado de Trabalho. “O estudo aponta que quem faz cursos técnicos recebe ‘prêmios’ no mercado”, afirmou o coordenador da pesquisa, Marcelo Neri.

Além de formalização, os egressos de cursos técnicos aumentam em 48,2% suas chances de conseguir um trabalho (formal ou não) e têm salários 12,94% maiores. Os cursos de graduação tecnológica aumentam em 95,7% a ocupabilidade. “As pessoas que frequentaram cursos apresentam em geral melhores resultados trabalhistas que os demais, por exemplo: uma taxa de ocupação de 71,6% contra 53,1% e um salário mensal médio de R$ 845 contra R$ 434”, aponta o estudo.

A educação profissional se divide em três modalidades: cursos de qualificação profissional, sem exigência de escolaridade, cursos técnicos de nível médio, nos quais os alunos devem ter concluído ou estar cursando o ensino médio, e os cursos de graduação tecnológica, que são oferecidos por instituições de ensino superior e exigem que o aluno tenha concluído a educação básica.

Os picos de salários e contratações são observados neste ano, devido a um possível apagão de mão-de-obra especializada. “O problema tem se agravado, pois o número de jovens de 18 a 24 anos que estão em alguma instituição de ensino formal vem caindo nos últimos anos”, aponta o estudo. Entre 2006 e 2008 a queda foi de 7,3%, de 7,5 milhões para 6,9 milhões. “Isto se dá pelo começo da redução da chamada onda jovem na qual observamos uma queda do número absoluto da população nessa faixa”.

Ao todo 23,5 milhões de pessoas já fizeram cursos profissionalizantes, o equivalente a 16,07% a população da brasileira com mais de 10 anos, segundo a pesquisa, que utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2007 e a Pesquisa Mensal de Emprego dos últimos oito anos.

“Existe uma distância muito grande entre o ensino médio e o mercado de trabalho. Para que trabalho o jovem está formado? Ele fica perdido na sua trajetória profissional”, avaliou Carla Corrochano, especialista em educação e juventude, da organização não-governamental Ação Educativa, que participou do lançamento. “Os cursos profissionalizantes atendem uma busca de trabalho no presente e uma possibilidade de melhora para o futuro”, avalia

“Encontrar um trabalho é uma premissa para os jovens e por isso eles almejam os cursos de qualificação profissional”, disse Carla. “É comum nas periferias encontrar jovens que fizeram todos os cursos em um pensamento que ‘se eu fizer todos esses cursos vou conseguir melhorar minha condição de vida’. E mesmo assim eles continuam no subemprego o que gera angústias e redução das expectativas”.

Simulador


Além da pesquisa, a FGV e o Instituto Votorantim lançaram um banco de dados online que permite que o internauta crie seu perfil e avalie seu potencial de inserção no mercado de trabalho, de acordo com as opções de cursos profissionalizantes.

O Simulador leva em conta sexo, etnia, idade, anos de estudo, posição na família, número de pessoas na casa, região e qualificação profissional. Os dados são de março de 2010.


(Envolverde/Aprendiz)

 
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