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A formulação do currículo é a principal causa do desinteresse dos alunos do Ensino Médio pelas aulas de Educação Física. A opinião é de professores e especialistas da área.
O pesquisador da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC) Rudney da Silva fez um estudo sobre a Educação Física no Ensino Médio noturno de escolas públicas de Florianópolis (SC). Ele constatou que há uma grande diferença entre o perfil dos alunos dos períodos matutino e noturno e que o currículo da disciplina não consegue contemplar os alunos que estudam à noite.
“Os alunos que estudam à noite não querem atividades desgastantes, como jogos de futebol. Eles preferem atividades mais lúdicas e de relaxamento”, diz. Segundo Silva, a maioria desses estudantes trabalha durante o dia e vão para a aula cansados. Para a pesquisa foram entrevistados 240 estudantes, além de professores de 24 escolas.
O problema observado no colégio particular Santo Américo, da cidade de São Paulo (SP), é outro. Muitas vezes os alunos não se interessam pelas modalidades tradicionalmente oferecidas, como futebol e vôlei. A opção encontrada foi oferecer uma diversidade maior de esportes, como natação, atletismo e pólo aquático.
Além disso, como o colégio trabalha com a questão do esporte desde o Ensino Infantil, é possível focar no Ensino Médio os jogos e suas estratégias, explica o coordenador da disciplina do colégio, Gedeon Piller.
“Nossos alunos têm um amadurecimento ao longo de anos em relação à prática de esportes na escola e isso faz com que poucos não queiram participar das aulas. Normalmente são meninas, que justificam que não têm habilidades. Mas buscamos encontrar essa habilidade junto com elas, seja na pista de atletismo ou nas piscinas”, diz o coordenador.
Interdisciplinaridade
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), o Ensino Médio, última etapa da educação básica, busca consolidar e aprofundar os conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental, preparando o adolescente para o mundo do trabalho e para uma atuação cidadã na sociedade.
Para isso, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Educação Física estabelecem que o ensino da Educação Física no nível médio deve primar pela diversidade, trabalhando com esportes coletivos, individuais, lutas, atividades rítmicas e expressivas, convivência com o outro, discussões sobre regras, saúde e sobre o esporte na mídia.
Diante da abertura possibilitada pela legislação brasileira, uma solução indicada pelos especialistas é trabalhar de maneira interdisciplinar, colocando a Educação Física em diálogo com as outras disciplinas.
Silva salienta que é extremamente importante essa maneira de trabalhar porque mostra ao aluno o motivo de aprender tal assunto e vivenciar na prática o que ele aprende na teoria dentro das salas de aula. “Infelizmente muitos professores não fazem isso porque não aprenderam assim na universidade”, diz.
Independentemente das soluções encontradas para o trabalho da Educação Física no Ensino Médio, segundo Silva, não se deve perder de vista os benefícios que ela traz para o aluno, seja no âmbito da saúde corporal ou no âmbito social atuando na formação de cidadãos.
(Envolverde/Aprendiz) |