Crise financeira da PUC-SP provoca impasse
Professores protestam em função das 888 demissões ocorridas desde 2005.
Dívidas, demissões de 475 professores e 413 funcionários, assembléias, reivindicações... Parece que a crise da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) está longe de terminar. Será, no entanto, que esta história vai ter um final feliz, tanto para os professores quanto para a mantenedora (Fundação São Paulo), como acontecem nos contos de fadas? Está é a grande polêmica que percorre os corredores de uma das mais tradicionais universidades do país.
De um lado a APROPUC (Associação de Professores da PUC) questionando as ações da universidade e do outro a mantedora procurando saídas para minimizar seu déficit mensal de R$ 4 milhões. Uma discussão sem fim, mas o início das aulas de um novo ano letivo se aproxima e estas questões precisam ser resolvidas antes que os problemas comecem a afetar a qualidade acadêmica da instituição. De fato, a volta às aulas na PUC-SP, marcada para o próximo dia 2 de março, vai ocorrer em clima de protesto.
Em assembléia de professores e funcionários, realizada no último dia 20, que visava discutir medidas contra as demissões ocorridas na universidade desde dezembro, os docentes decidiram não assumir aulas dos colegas demitidos. "Nossa determinação foi para que nenhum professor assuma as atividades dos docentes que foram demitidos e que nenhum Departamento faça a substituição dos profissionais", afirma o diretor da APROPUC Erson Martins.
E mais, os professores estudam ainda a possibilidade de entrar em greve. "Aprovamos apenas o indicativo da paralisação, mas só quando o calendário escolar tiver início poderemos decidir melhor o que fazer. A previsão é de que logo nos primeiros dias de março tenhamos uma decisão", alerta o diretor.
Durante reunião do Conselho Universitário, alunos, professores e funcionários da PUC-SP reivindicaram também a readmissão de todos os demitidos. Segundo a União Estadual dos Estudantes (UEE), desde a intervenção da Mantenedora as demissões não tiveram a acessão da comunidade universitária. "Existem indicadores de um conflito legal, entre o estatuto da Fundação e o estatuto da Universidade. E ainda não ficaram claros os critérios das demissões", protesta Martins.
Diante das acusações o vice-reitor administrativo da PUC-SP, Flávio Mesquita Saraiva, explica que existem dois processos distintos para a demissão de professores. "Por parte da chefia dos departamentos, que precisam ser aprovados pelo Conselho Universitário, e por parte da mantenedora, que tem o direito, como empregadora, de fazer as demissões unilateralmente", esclarece. "E como uma das ações do ajuste da crise financeira a mantenedora usufruiu seus direitos", conta.
Segundo o vice-reitor, a Fundação precisava enxugar seu quadro administrativo e docente para diminuir o seu déficit mensal. "A grande maioria dos funcionários demitidos não será substituída, porque muitos setores foram terceirizados ou fundidos. Já em relação ao quadro docente, evidente, em alguns casos será necessária a contratação de substitutos, mas com um custo de mão-de-obra mais baixo", conta.
A crise está levantando uma série de hipóteses em relação ao futuro da mantenedora. Para Martins, a fundação está utilizando a crise financeira para outros fins. "Uma maneira de remodelar a PUC no padrão das escolas particulares de ensino superior: em uma escola para lucro", relata. "Estas ações vão derrubar a qualidade de ensino", lamenta.
No entanto, Flávio assegura que estas afirmações não são reais. "Em nenhum momento a Fundação demonstrou querer transformar a PUC numa escola nos moldes de outras escolas privadas. A PUC vai continuar sendo comunitária e filantrópica. O que a Fundação quer é que a universidade não produza prejuízos tão alarmantes", garante. "Não há intenção de mudar nada na qualidade, pelo contrário, manter as atividades acadêmicas é uma das principais preocupações da fundação", conclui.
A PUC-SP tem hoje uma dívida estimada em mais de R$ 80 milhões e um déficit mensal na casa dos R$ 4 milhões.