21/10/2005

Cresce a educação para a cidadania no Brasil e países da América Latina

Cresce em toda a América Latina o número de projetos que visam promover a cidadania nas escolas públicas e privadas. Iniciativas realizadas no Brasil, México, Estados Unidos e na Colômbia - e que foram apresentadas durante o 1º Seminário Internacional de Ensino e Prática da Cidadania em Escolas, organizado pelo Instituto da Cidadania Brasil e encerrado no último dia 18 -, são exemplos de ações que vêm contribuindo para ampliar a consciência de cidadania junto a estudantes dos ensinos fundamental e médio, bem como junto ao grupo de docentes.

Realizados principalmente no âmbito da iniciativa privada, das entidades não-governamentais (ONGs), das organizações da sociedade civil de interesse público (OCIPs) e do próprio governo, esses projetos tratam de estimular o debate sobre os temas relacionados à cidadania, difundir os direitos e obrigações dos cidadãos e propor e realizar ações em prol da comunidade, além de fazer sugestões em termos de políticas públicas.

No Brasil, o Prêmio Construindo a Nação - iniciativa do Instituto da Cidadania Brasil - já envolveu, em cinco anos de existência, mais de 620 mil alunos do nível médio do Estado de São Paulo em projetos de cidadania junto às comunidades locais, sendo um exemplo em termos de educação para a cidadania. Realizado no Estado de São Paulo, o Construindo a Nação abrange projetos na área de educação política, meio-ambiente, capacitação de deficientes, trabalhos de cunho assistencial, entre outros, com a participação tanto alunos das escolas públicas e privadas, como de docentes.

O Construindo a Nação tem similaridade - em termos de proposta e ações realizadas junto às escolas - com as ações desenvolvidas em outros países por instituições como o Center of Civic Education (EUA). Mais especificamente, o Projeto Cidadão, a principal iniciativa da instituição. Trata-se de um projeto realizado nas salas de aula para debater junto aos alunos questões relativas à comunidade, e que culmina com a sugestão de ações para políticas públicas.

"A escola é a esfera mais importante para promover a cidadania e criar cidadãos", destacou Oscar Cruz, responsável pelos programas internacionais do Center of Civic Education, que já atingem 45 países. O Projeto Cidadão, por exemplo, já é realizado em mais de 35 países ao redor do mundo.

Para Paulo Saab, presidente do Instituto da Cidadania Brasil, a educação é o caminho mais longo, mas o único para se promover uma reforma pacífica e de desenvolvimento através da cidadania. "Daí a importância de projetos como esses que começam nas salas de aula e depois chegam às comunidades", diz ele.

Na Colômbia, o Projeto Cidadão, realizado com o apoio da Fundação Presencia, tem conseguido resultados muito bons em um país onde 60% da população local é formada por pessoas pobres, 40% vivem quase na miséria absoluta e onde o narcotráfico e o sexo livre são problemas de grande extensão.

Segundo Susana Retrepo Iregui, da Fundação Presencia, o Projeto Cidadão conseguiu, por exemplo, propor uma solução para os riscos que os alunos enfrentavam para atravessar as vias públicas, na entrada e saída das escolas, em função do grande volume de tráfego local. "Os alunos analisaram a questão, relacionaram as principais dificuldades e apresentaram as soluções às autoridades competentes", conta ela.

Outra experiência foi relatada pelo professor mexicano Luis Amora, da Federal Electoral Institute. Ele destacou a importância das ações de educação cívica para mostrar às crianças e adolescentes como devem escolher um governante. "É fundamental para a prática da cidadania demonstrar aos alunos, com transparência, as atitudes tomadas pelo governo e dar a eles a oportunidade de questionar o motivo pelo qual tal atitude foi tomada, inclusive solicitando explicações dos governantes", afirma Luis Amora.

A participação dos jovens nos rumos políticos foi um dos pontos que centralizaram o debate no encerramento do 1º Seminário Internacional de Ensino e Prática da Cidadania em Escolas. "O nepotismo e a corrupção ocorrem devido à ausência da população do processo político, e as escolas podem ter um papel fundamental nesse sentido, ajudando a formar cidadãos com maior consciência política e participativa", destacou o presidente do Instituto da Cidadania Brasil.

O Seminário Internacional de Ensino e Prática da Cidadania em Escolas mostrou que há diversos projetos, realizados em diversos países da América Latina, e que comprovam que a educação para a cidadania está avançando rapidamente, no sentido de ampliar a consciência política, social e ambiental, entre outros aspectos. "O intercâmbio e a participação de várias entidades no debate da educação para a cidadania é um passo importante no sentido de entendermos em que ponto do processo cada país está, e como é possível atuar conjuntamente", concluiu Saab.

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