Convênio garante escala a projeto para formação de professores
Por Rodrigo Zavala, da Rede Gife
Professores de escolas públicas de todo país têm agora a oportunidade de melhorar sua formação e, com isso, estimular a escrita e leitura de seus alunos. Trata-se da recém-lançada Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, que espera levar para sala de aula novas metodologias de ensino para a disciplina.
Para os educadores, a proposta é simples: ao se inscreverem gratuitamente com seus estudantes, receberão materiais didáticos para começar o trabalho. Além de cadernos de orientação metodológica, manuais de produção de texto e guias de avaliação das redações, os professores ainda poderão contar com debates virtuais com pesquisadores da área. Entre abril e agosto, serão realizadas oficinas de produção de textos nas escolas.
A iniciativa tem como base o programa Escrevendo o Futuro, criado pela Fundação Itaú Social, em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Desde 2002, a iniciativa beneficiou mais de 3 milhões de estudantes, em períodos de qualificação bienais.
No entanto, a Olimpíada tem uma meta mais ambiciosa: pretende alcançar, só neste ano, 6 milhões de estudantes, 73.118 escolas e 200 mil professores em 4.450 cidades, cobrindo 80% dos municípios brasileiros. A explicação para o aumento significativo dos objetivos do programa é resultado de um convênio assinado com o Ministério da Educação (MEC).
“O apoio do Ministério dá maior capilaridade ao programa. Tornou-o uma política pública de educação”, argumenta o vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias.
Segundo ele, há aqui uma questão de complementaridade, já que, reconhecidamente, os alunos de escolas públicas vão mal em português. Basta ver os resultados insuficientes diagnosticados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que, em 2007, colocaram mais uma vez o Brasil entre os piores do mundo em leitura.
De acordo com a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, a Olimpíada pretende melhorar o ensino de língua portuguesa nas escolas públicas. “Trata-se de um projeto inovador por não se resumir a uma competição. É um processo de formação dos professores para que trabalhem de maneira cada vez mais profunda na produção de textos”, garante.
A intenção, como crê Maria do Pilar, é que a olimpíada incida diretamente na melhoria dos índices educacionais do país - especialmente no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O Brasil alcançou a pontuação 3,8 numa escala que vai até 10. “A meta é atingirmos nota 6 até 2022 e para isso temos que envolver as escolas na olimpíada. Para isso vamos estimular os municípios com os piores índices educacionais a participar do projeto.”
Comunidade
A Olimpíada tem como tema central O Lugar Onde Vivo, que pode ser desenvolvido em três gêneros textuais — poesia, memória e artigo de opinião. “A idéia é que os alunos reflitam sobre os desafios de sua comunidade e expressem suas idéias nos textos”, diz Antonio Matias.
A coordenadora geral do Cenpec, Maria do Carmo Brant de Carvalho, mostra que isso é possível, já que para a realização dos textos é preciso fazer uma pesquisa concreta sobre o tema. “Eles têm a oportunidade de interagir com a comunidade para levantar essas informações” argumenta.
No total, a Olimpíada terá cinco etapas. Na primeira, representantes dos pais, professores e da comunidade irão selecionar até 134 mil textos. Na segunda fase, especialistas em língua portuguesa e representantes das secretarias de ensino, universidades e comunidade terão a missão de escolher até 25 mil melhores trabalhos.
Posteriormente, a Olimpíada entra na fase em que serão definidos os 500 semifinalistas. Estes trabalhos seguem, depois, para a etapa regional, de onde sairão os 150 textos que concorrerão à final.
Formação
Embora os prêmios sejam divulgados ainda este ano, o programa de formação terá continuidade em 2009. Ao todo, 270 mil professores receberão materiais para classes de formação virtuais e presenciais. “Vamos utilizar como ferramentas de avaliação os relatórios do professor, os registros das oficinas. Há também como ver os efeitos no aprendizado nos alunos, por meio da evolução de suas redações”, explica Maria do Carmo.
O controle será feito por meio de uma ação articulada entre MEC, Cenpec e as secretarias municipais e estaduais de Educação.
Inscrições
Para participar da Olimpíada, o primeiro passo é a adesão da rede de ensino. No caso das escolas municipais, o prefeito e o secretário municipal de ensino devem assinar o termo de adesão. No caso das estaduais, a inscrição fica a cargo da secretaria estadual de Educação.
O formulário está disponível nos sites do MEC (http://www.mec.gov.br), da Fundação Itaú Social (http://www.fundacaoitausocial.org.br), do Cenpec (http://www.cenpec.org.br) e do programa (http://www.escrevendoofuturo.org.br).
(Envolverde/Rede Gife)