17/06/2006

Concessão de bolsas do CNPq mostra reconhecimento da atividade de extensão universitária

Publicado no último dia 9 de junho, o resultado da seleção para bolsas de Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) traz uma ótima notícia para a comunidade universitária: o reconhecimento da atividade de extensão universitária como parte fundamental do trabalho acadêmico e, particularmente, da importância de ações voltadas ao desenvolvimento das chamadas tecnologias sociais. No caso da UFSCar, por exemplo, dos cinco docentes contemplados com a bolsa, três desenvolverão projetos ligados a tecnologias sociais.

"Esta é uma conquista histórica, uma vitória do movimento nacional de valorização da extensão liderado pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas. O reconhecimento do CNPq fortalece inclusive a concepção da extensão como parte constituinte da atividade-fim da instituição universitária, juntamente com o ensino e a pesquisa, e não como algo à parte", afirma a Pró-Reitora de Extensão da UFSCar, Maria Luísa Guillaumon Emmel. "O resultado abre portas muito importantes particularmente para nossa Universidade, que tradicionalmente já desenvolve atividades de extensão voltadas ao atendimento das demandas sociais de nosso País", complementa. "O CNPq sempre priorizou o critério da qualidade do trabalho científico e indicadores como a publicação em periódicos internacionais. A criação dessa nova bolsa e os resultados do processo seletivo são um passo fundamental para que se agregue a esses critérios a questão da relevância social", comemora Targino de Araújo Filho, ex-Pró-Reitor de Extensão da UFSCar que atualmente coordena a área temática de Tecnologia do Fórum Nacional de Extensão.

Projetos

Das bolsas concedidas a pesquisadores da UFSCar, três estão ligadas a projetos a serem desenvolvidos pela Incubadora Regional de Cooperativas Populares da Universidade (Incoop). A docente Maria Zanin desenvolverá o projeto "Proposição e implantação de tecnologias em cooperativas para melhor inserção na cadeia produtiva da reciclagem", que envolve quatro cooperativas de catadores, três de São Carlos e uma de Matão. O objetivo é promover a emancipação socioeconômica dos profissionais dessas cooperativas com base em estudos e ações sobre as relações de suas atividades com os demais atores da cadeia produtiva. "Buscaremos colocar essas pessoas em contato tanto com as tecnologias sociais - como aquelas ligadas a planejamento e gestão - quanto com processos tecnológicos relacionados aos equipamentos utilizados na cadeia da reciclagem", explica a pesquisadora.

Já o projeto do professor Ioshiaqui Shimbo, do Departamento de Engenharia Civil, objetiva introduzir inovações na produção de habitações nos assentamentos rurais Pirituba 2 (município de Itapeva, Estado de São Paulo) e Sepe Tiaraju (em Serrana, também no Estado de São Paulo). Essas inovações acontecem em relação a três aspectos: processo (com participação das famílias assentadas nos processos decisórios, atividades de formação e capacitação em todas as etapas da cadeia produtiva da habitação e possibilidades de geração de trabalho e renda); gestão (visando a articulação de todos os agentes envolvidos na cadeia) e produto (desenvolvimento de componentes e sistemas construtivos que utilizem recursos locais, preferencialmente renováveis).

Outro projeto ligado a Incoop e contemplado com a bolsa do CNPq é o da professora Ana Lúcia Cortegoso, do Departamento de Psicologia da UFSCar, que permitirá a continuidade do processo de incubação do grupo ConsumoSol - Articulação Ética e Solidária para um Consumo Responsável. O grupo visa a organização de produtores e consumidores para a prática da economia solidária.

Já Alberto C. Badino Junior, do Departamento de Engenharia Química, é responsável por projeto de desenvolvimento de bioreatores pneumáticos multiuso. Atualmente, todos os equipamentos desse tipo no Brasil são importados e custam em torno de US$ 44 mil. O modelo desenvolvido pela UFSCar já foi testado e apresenta desempenho tão bom quanto seus congêneres importados. Para seu projeto, foram consideradas variáveis de custo e design. Finalmente, Célio Estevan Moron, do Departamento de Computação, foi contemplado pelo projeto "Arquitetura para acesso a serviços remotos de tempo real utilizando dispositivos móveis". O objetivo dessa iniciativa é desenvolver tecnologias que permitam a comunicação desses dispositivos - como, por exemplo, telefones celulares - com máquinas mais potentes, aumentando assim sua capacidade computacional de processamento.

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