Como organizar a sua formatura
Você pode comemorar o final do seu curso com toda a pompa ou de forma bem louca e criativa. Também pode misturar o tradicional com o moderno. E ainda tem a opção de não comemorar. Tudo depende do seu perfil, do perfil do seu curso, de sua turma e da grana que vocês têm ou estão a fim de desembolsar.
"Hoje, muitos formandos estão mais preocupados em arranjar logo um emprego para começar a ganhar dinheiro - ou até mesmo para pagar a faculdade retroativamente - do que em gastar dinheiro com formaturas grandiosas. Então, as turmas que optam pelo tradicional são cada vez menores", diz Patrícia Miranda, diretora da Aprof (Associação das Empresas Promotoras de Formatura). Segundo ela, as turmas que ainda optam por se formar com tudo o que têm direito vêm de cursos como Direito, Medicina, Odontologia, Farmácia e Fisioterapia. O resto opta por formas alternativas.
Foi o caso da turma de Psicologia de Aline Frey, da UFBA (Universidade Federal da Bahia), que se formou em 2004. Os 16 formandos optaram por fazer esquetes com pequenas peças de teatro e declamações de poesias, no próprio saguão da reitoria, onde rolou a colação de grau. "Um colega que é músico compôs uma canção que falava da trajetória da nossa turma e tocou piano de calda. A turma entrou fazendo bolinhas de sabão, ao som de uma das músicas do filme O fabuloso mundo de Amelie Poulain, tocada por uma banda de amigos nossos. No lugar da beca, vestimos roupas coloridas. Decoramos a reitoria com cortinas de cizal e arranjos de flores. Os convites tinham uma foto P&B da turma com intervenções coloridas. Tudo custou apenas R$ 70 para cada um", conta.
Já a turma de Daniele Souza, 27 anos, que se formou em Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) este ano, optou por alugar uma casa noturna decorada com o tema "mídia", no esquema "os convidados pagam o que consumirem". Cada um dos 20 formandos teve que desembolsar apenas R$ 60.
Os caretas
Fazer algo diferente pode ser realmente bacana. O problema é que quanto mais exótica a festa, mais difícil de a turma chegar a um consenso e se organizar. "Dá muito trabalho ficar inventando moda e convencer o resto da turma de que é legal e vai funcionar. Muita gente opta pelo padrão tradicional para evitar polêmica. E mesmo assim às vezes rolam brigas homéricas", explica Gion Brunn, 25 anos, estudante do terceiro ano de Medicina da UFBA.
Durante dois anos ele fez parte da comissão de formatura de seu curso, mas desistiu do cargo pelo excesso de reuniões. "O curso de Medicina já é puxado demais, não estava tendo tempo para me dedicar à organização da formatura", conta. Isso porque, além do baile, a comissão organiza várias festas durante todo o curso para arrecadar dinheiro aos poucos. Dá um trabalhão.
Nessa "brincadeira", cada um dos 80 alunos a turma de Gion vai gastar de R$ 1.570, aluguel do parque aquático Wet´n Wild - onde vai rolar o baile - , aluguel do espaço onde será realizada a colação de grau e o cachê de três bandas (uma de rock, uma de forró e outra de axé), cerimonial da festa, produção do filme que será exibido durante a festa, seguranças, convites para 150 convidados cada um, orquestra para colação, canudos e o dinheiro que vai para a empresa de eventos que está organizando tudo. Isso sem contar a roupa, o bufet pessoal, e a cobertura do evento (álbum e fotos e DVD).
Ufa!!!! Com tanto gasto, ainda bem que há espaço para a democracia: participa quem quer. Tanto que Ricardo Heinzelmann, 24 anos, colega de Gion, optou por ficar de fora dos eventos e gastar o dinheiro em uma viagem para a Europa, depois de formado. "Prefiro satisfazer o meu prazer pessoal, em vez de fazer uma festa para os outros", explica.
E pode ser muito mais caro do que o valor que essa turma de Medicina vai pagar: tem gente que topa desembolsar mais de R$ 3.000. Hoje em dia há modismos que encarecem tudo: bailes temáticos (com tema havaiano, por exemplo), contrato de escolas de samba para fazer uma surpresa no meio do evento, malabares, cuspidor de fogo na entrada, drag queens que aparecem depois da valsa distribuindo pulseirinhas de neon, distribuição de pirulito, sorveteiro à disposição a noite inteira, garçons usando capelo na cabeça ou avental com nome do curso, scotch bar, lounges espalhados pelo salão, paredes de flores, velas e pétalas de rosas pelo chão. "Tudo isso pode parecer extravagante, mas acho que vale a pena comemorar esse período de tanta batalha", opina Gion.