18/05/2010

Colégio Estadual de Apucarana recebe prêmio do CNPq

O Colégio Estadual Osmar Guaracy Freire, de Apucarana (Norte do estado), ficou em primeiro lugar no 5.º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A premiação será realizada nesta terça-feira (18), em Brasília.

O colégio foi o representante do Sul do país a vencer na categoria Escola Promotora da Igualdade de Gênero.

Segundo a diretora da escola, Marlene Beletato, a premiação é resultado do trabalho realizado há pelo menos 10 anos, mas o tema da violência contra a mulher foi proposto na semana pedagógica de 2008, tendo continuidade no ano seguinte. “Temas que abordam bulling, discriminação, respeito, convivência saudável se sempre foram discutidos na escola, pois há tradição na escola em se trabalhar ética, cidadania, valores morais”.

A professora de Português Nair Pagliari conta que sempre inclui o tema sexualidade em sua disciplina. “A partir da pergunta de uma aluna sobre gravidez na adolescência, surgiu a ideia de explorar melhor o tema discriminação e evoluimos para a discussão da violência contra a mulher”, explicou.
 
Os alunos elaboraram um questionário para avaliar a incidência da violência na comunidade, incluindo a família. “O questionário mostrou que a violência doméstica é muito mais presente que se imaginava”. A repercussão foi tanta que a escola decidiu mobilizar segmentos da sociedade para discutir o tema com os alunos.

“A experiência teve grande impacto na comunidade escolar. Ficou claro que havia grande dificuldade em abordar a temática da violência doméstica e que o assunto era uma preocupação presente entre os estudantes”. O trabalho final foi uma produção de textos sobre o assunto, com referência à Lei Maria da Penha.
 
Heliezer Luiz Dias dos Santos da Silva, 17 anos, aluno do 2.º ano do ensino médio relatou que as discussões sobre este tipo de tema são comuns na escola. Ele destacou que o trabalho deu a ele uma nova visão sobre o preconceito. “O projeto ampliou a consciência de que o preconceito atinge não apenas os negros, mas também as mulheres e idosos, pois há vários tipos de discriminação”, comenta.

As discussões e palestrar serviram para mudar o comportamento da aluna Susan Caroline Camargo, 14 anos, 1.º ano do ensino médio. “Hoje isso me mobiliza a questionar mais, a não me calar diante de atos cometidos contra outras pessoas; sei como buscar ajuda. Não dá para ficar de braços cruzados”. Ela ainda concordou que a atitude dos estudantes tem sido mais respeitosa.
Segundo a diretora, que representará o colégio na premiação, o dinheiro do prêmio, R$ 10 mil, será utilizado no setor pedagógico da escola.


(Envolverde/Nota 10)

 
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