| Por Vivian Lobato, do Aprendiz | “Zizi tem 11 anos e é uma menina muito esperta, gosta de jogar basquete e é muito curiosa, estuda muito porque gosta de ler e aprender. Mudou-se de São Paulo para Manaus com sua família: mãe, pai e Nina, sua irmã mais velha. Enquanto Zizi é uma menina que procura saber tudo sobre a nova cidade, Nina, sua irmã de 15 anos, só quer saber de bater papo com as amigas de São Paulo na internet, não sai de dentro do quarto. O pai de Zizi, mesmo que muito ocupado na nova posição na firma em que trabalha, percebeu que Zizi estava um pouco solitária e lhe deu um aquário, o que seria bom para alegrar a casa e enfeitar a sala do novo apartamento”.
É assim que começa a história de Zizi, personagem da coleção Ciência é Legal. Idealizada e organizada pela pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Vera Maria de Almeida e Val, a coleção de cinco livros busca apresentar às crianças a fauna e flora da Amazônia de maneira que desmistifique o olhar de que a região é apenas um local verde que deve ficar intocado.
“A Amazônia é vista pelo resto do Brasil como um pedaço verde que deve ser preservado, como se fosse um objeto que não pode ser tocado. Mas a Amazônia é muito mais do que uma natureza exuberante, é uma região muito produtiva na qual vivem pessoas e animais. Queríamos trazer isso para todo o país numa forma de inclusão mais séria. O material didático foi um dos caminhos”, explica Vera.
Logo no primeiro volume, a personagem Zizi faz amizade com um peixinho do aquário que ganhou de seu pai. O peixe falante apresenta para Zizi a diversidade de peixes existente na Amazônia. A partir de então, a menina passa a descobrir as riquezas da região.
“Pensamos na história de uma menina que não conhece a região para que a criança que está lendo o livro possa fazer as descobertas do lugar junto com a personagem”, comenta a pesquisadora do INPA.
Uma figura que chama a atenção da coleção é a irmã mais velha da Zizi, Nina. Desinteressada pela nova cidade, Nina passa a maior parte do tempo navegando pela Internet, conversando em salas bate-papo com as amigas de São Paulo. “A irmã não é ligada em questões ambientais e não vê a Amazônia como uma região interessante e produtiva. Para Nina, a Amazônia é uma coisa muita distante. Através dela, fazemos uma crítica disfarçada de como o Brasil observa esse lugar. Infelizmente, a Amazônia ainda não faz parte da agenda de ciência e tecnologia brasileira. A região é vista por muitos apenas como uma bandeira que precisamos preservar e defender”.
Com uma linguagem simples e muitos recursos visuais, a coleção é voltada para crianças na faixa dos dez anos. A realização dos livros contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do INPA e foi editado pela Editora INPA.
A coleção está sendo analisada pelo Ministério da Educação (MEC). Se aprovados até o começo do ano que vem, os livros poderão estar disponíveis para as escolas de todas as regiões.
“Fizemos algumas oficinas com crianças e adultos utilizando a coleção. O resultado foi muito positivo. Queremos agora fazer uma coleção sobre mudanças climáticas e outra sobre evolução”, comenta.
(Envolverde/Aprendiz) |