05/07/2007

CNE apresenta relatório sobre a falta de professores no ensino médio

O Conselho Nacional de Educação (CNE) apresentou nesta terça-feira (4), em Belém, o relatório "Escassez de Professores no Ensino Médio: Soluções Estruturais e Emergenciais". O estudo faz um alerta: se continuar no mesmo ritmo, o Brasil corre o risco de ficar com ainda menos professores de ensino médio na rede pública na próxima década.

Faltam 246 mil professores nas disciplinas exatas nas classes de ensino fundamental (da 5.ª à 8.ª série) e do ensino médio (antigo segundo grau). As áreas mais carentes de professores são física e química, à frente de matemática e biologia. Para suprir a demanda de física, por exemplo, seria necessário ter formado 55.231 professores nessas disciplinas na década de 90, o que não ocorreu. Nesse período, as estatísticas mostram que foram licenciados apenas 7.216 professores em física e 13.559 em química.

A evasão nesses cursos também é uma das explicações para o problema. Dados divulgados em 1997 pelo MEC e pelo Fórum de Pró-Reitores de Graduação indicam que, nos cursos de física, havia uma evasão média de 65%. Nos de química, o percentual era ainda maior: 75%.

De acordo com o professor da Universidade de Brasília (UnB) e um dos responsáveis pelo estudo, Antonio Ibañez Ruiz, em 30 anos, a UnB formou cerca de 10 professores de química e física e seis de matemática. O problema foi contornado com a criação de cursos noturnos.

Na opinião de Ibañez, o MEC deve assumir a culpa pelo problema, que ele chama de "apagão escolar". Ele diz que a falta de professores já é realidade há pelo menos 20 anos e sugere a criação de comitês emergenciais nos estados, coordenados pelo MEC, para resolver o problema.

Para superar o déficit de docentes nas ciências exatas, o estudo sugere a criação de um piso salarial nacional para os professores do ensino médio e o aproveitamento de estudantes que ainda não se formaram para suprir a carência nas áreas onde o déficit de professores é maior. Outras sugestões são o retardamento das aposentadorias dos professores que lecionam essas disciplinas e o incentivo para que alguns professores aposentados voltem a dar aulas. As duas medidas seriam adotadas em troca de incentivos fiscais ou financeiros. Outra proposta é a criação de bolsas de estudos para que alunos vindos das escolas públicas possam cursar licenciaturas em ciências exatas em escolas particulares, como já é feito no Programa Universidade para Todos (ProUni).

O estudo foi elaborado com base em dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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