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Durante a oficina foi apresentado o diagnóstico feito em conjunto pelas organizações que trabalham com educação escolar indígena entre os Yanomami e Ye'kuana: Diocese de Roraima, Fundação Nacional do Índio (Funai), ISA, Meva (Missão Evangélica da Amazônia), Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), Secretaria de Educação, Cultura e Desportos do Estado de Roraima (SECD/RR), Secoya e missionários salesianos. Os representantes Yanomami e Ye'kuana complementaram o diagnóstico relatando a situação das escolas nas suas regiões. Ficou evidente a falta de material e merenda escolar, assim como a ausência de acompanhamento e assessoria às escolas por parte das secretarias de educação.
As lideranças relataram o frequente desrespeito às suas práticas culturais e concepções próprias de educação. As secretarias se justificaram dizendo estarem cumprindo as determinações legais, como a exigência de um calendário fixo, com o mínimo de 200 dias letivos e com 800 horas anuais, além da elevada carga horária de língua portuguesa presente no currículo obrigatório.
Os representantes Ye’kuana relataram os problemas enfrentados por seu povo que sente o impacto da saída de muitos de seus jovens das comunidades, que se mudam para a capital, principalmente para cursar o ensino médio. Outro ponto destacado foi a paralisação de todos os processos de formação dos professores Yanomami tanto em Roraima quanto no Amazonas, deixando evidente o quadro de abandono por parte das secretarias estaduais e municipais de educação.
Além dos 20 representantes indígenas, a oficina também contou com a participação de representantes do Ministério da Educação (MEC); da Funai; da Fundação Nacional da Saúde (Funasa); da SECD/RR; da Secretaria Estadual de Educação do Amazonas (Seduc/AM); do ISA; da Missão Consolata/Diocese de Roraima; da Meva; da MNTB e missionários salesianos.
Censo escolar diferenciado é prioridade
Tendo como base os dados apresentados pelas organizações de apoio e os contextos relatados pelos representantes indígenas, iniciou-se a elaboração do Plano de Ação do Território Etnoeducacional Yanomami e Ye’kuana que terá como ação prioritária a realização de um censo escolar diferenciado, que possa demonstrar a realidade da educação na Terra Indígena Yanomami.Outro ponto destacado foi a necessidade de garantir o reconhecimento das práticas pedagógicas próprias dos Yanomami e Ye'kuana, pois as imposições do sistema oficial de ensino podem levar os alunos indígenas a um distanciamento do contexto comunitário e a um provável abandono de práticas sociais vitais para a manutenção dos modos próprios de vida destes povos.
O reconhecimento dos cursos de magistério específicos para o povo Yanomami desenvolvidos pelo ISA e pela Secoya, assim como o reconhecimento dos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas, foram incluídos no Plano de Ação. Além disso, a necessidade de certificar os professores formados e os alunos adiantados para que estes possam dar continuidade aos seus estudos foram inseridos no plano juntamente coma contratação de mais professores e de outros profissionais da educação. Foram apresentadas demandas para a construção de escolas que levem em conta o contexto das comunidades e o padrão arquitetônico local, assim como para a compra de equipamentos.
Importância do Território Etnoeducacional é consenso
O ponto alto da oficina foi o consenso entre os Yanomami de Roraima e do Amazonas sobre a importância do Território Etnoeducacional como estratégia para pensar e desenvolver uma educação escolar condizente com as necessidades e demandas dos Yanomami e Ye’kuana. Por isso foi ampliada a representatividade indígena na comissão gestora de modo a garantir a participação de todas as regiões da Terra Indígena Yanomami.
A segunda oficina ficou agendada para abril de 2011, na TI Yanomami, na região do Maturacá, em São Gabriel da Cachoeira, noroeste amazônico, para a conclusão e pactuação do Plano de Ação. Outras duas reuniões estão marcadas: em agosto, na região do Surucucu, e em dezembro, em São Gabriel da Cachoeira.
Para o líder Yanomami Davi Kopenawa, presidente da Hutukara Associação Yanomami, a expectativa em relação a esta nova forma de gestão da educação escolar Yanomami e Ye’kuana poderá ser o caminho para desenvolver ações amplas e articuladas. “Nós queremos pensar tudo junto, tudo articulado, a defesa da nossa terra deve está articulada ao processo de escolarização dos nossos jovens para que eles aprendam e possam nos defender. Queremos que as escolas fortaleçam as nossas línguas, mas também ensinem os Yanomami a serem médicos, enfermeiros, professores, dentistas, pesquisadores. Também queremos continuar a nossa história, queremos que os jovens continuem interessados em ser xamãs, caçadores, pescadores, que saibam construir as suas casas e viver com os recursos da nossa floresta. A escola não é para virar branco!”.
(Envolverde/ISA)
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