29/11/2005

Brasil precisa investir muito para reverter atual quadro da educação, afirma ministro

Por Ivan Richard

Brasília - O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou na última sexta-feira (25) que o Brasil precisa investir muito, "por uma ou duas gerações", em um conjunto de iniciativas como a capacitação de professores para conseguir reverter o atual quadro na educação. Ele participou, em Brasília, do 2º Seminário Internacional Educação Brasil Competitivo, promovido pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC). O evento reúne líderes, empresários, educadores e representantes do poder público que discutem como o país poderá alcançar o desenvolvimento por meio do ensino.

Haddad enumerou algumas ações que considera necessárias para o Brasil conseguir um quadro educacional de qualidade. "Falta mais investimento, em primeiro lugar; falta aprovar o Fundo da Educação Básica, que está tramitando no Congresso Nacional; falta colocar toda criança, principalmente a criança de família pobre na creche, na pré-escola para que tenha sua formação garantida, porque, sem esse estímulo na infância, a criança não se motiva para o aprendizado", afirmou o ministro.

Segundo ele, falta também capacitar professor. "Tem muitos professores ainda sem o diploma de educação superior. Então, um conjunto de iniciativas que têm que ser tomadas, e estão sendo tomadas, para que o Brasil possa vir a mudar seu quadro na educação", acrescentou.

Números do Movimento Brasil Competitivo indicam que a educação no país vem tendo avanços desde 1975. Em duas décadas e meia, a taxa de matrícula no ensino básico saltou de 86% para 97% e, no médio, de 15% para 71%. "De uma forma geral, o Brasil tem hoje mais de 98% das crianças em idade escolar freqüentando as salas de aula", revela a pesquisa do MBC. O mesmo levantamento mostra, entretanto, que o problema não está na quantidade, e sim na qualidade.

"Estamos realizando o segundo seminário sobre educação na busca de eficiência e produtividade. Isso passa pela maior capacitação, treinamento e educação para os trabalhadores. Num sentido amplo, isso também vale para o setor público", disse o presidente do grupo Gerdau e fundador do MBC, Jorge Gerdau. Para ele, a própria educação precisa também ser gerenciada na busca de obter o máximo de eficiência e eficácia nos recursos que são aplicados. "O seminário integra o conceito de que competitividade global se consegue através da melhor educação", explicou.

O MBC foi criado em 2001 e é reconhecido como uma organização da sociedade cível de interesse público (Oscip), voltada para o estímulo e o fomento do desenvolvimento da sociedade brasileira. Integram o Conselho Superior do MBC ministros como Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil da Presidência da República; Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Sérgio Rezende, da Ciência e Tecnologia; e Paulo Bernardo, do Planejamento; além de empresários.

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