Bolsistas do Ciência sem Fronteiras catalisam a melhora das universidades, diz presidente da CGEE
O presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Mariano Laplane, defendeu hoje (22), em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, os investimentos do governo no programa Ciência sem Fronteiras, que concede bolsas para estudantes brasileiros em universidades do exterior. Segundo ele, os bolsistas do programa serão "catalisadores" da melhora das universidades brasileiras. Além disso, a formação de profissionais de alto nível é fundamental para o Brasil atrair os investimentos feitos por empresas estrangeiras em ciência, tecnologia e inovação.
"O desafio é elevar a qualidade da nossa graduação, e isso deve ser feito com movimentos de escala importantes. Ter enviado 100 mil pessoas ao exterior não chega a 1% dos 7,2 milhões de universitários brasileiros. Mas o importante é que esses bolsistas, no seu retorno, sejam catalisadores, fermento da melhora de qualidade da nossa graduação. Isso é um processo demorado. Não terá resultado imediato", disse Laplane.
A conselheira da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Fernanda Sobral, também acredita que o Ciência sem Fronteiras promoverá grandes mudanças nas universidades brasileiras.
"Nós estamos aumentando a presença dos nossos estudantes em instituições de excelência no exterior. Os meninos voltam sabendo que os cursos têm menos horas-aula e mais laboratório. As universidades têm laboratórios bem equipados, com financiamento privado, e boas bibliotecas. Esse modelo de universidade volta na cabeça deles", avaliou.
A audiência pública no Senado contou ainda com a participação do coordenador do Ciência sem Fronteiras no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Geraldo Nunes Sobrinho. Segundo ele, o Ciência sem Fronteiras foi uma opção estratégica visando a inserção do Brasil no mundo. "A produção científica do Brasil ainda é feita de forma isolada", disse.
"O Ciência sem Fronteiras é uma das mais desafiadoras iniciativas para a internacionalização da educação brasileira", completou o diretor de Relações Internacionais da Capes, Adalberto Luis Val, também presente à audiência no Senado.
O debate foi proposto pelo presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, Cristovam Buarque, que sugere ajustes no Ciência sem Fronteiras. "É um grande programa, que o Brasil deveria ter há mais tempo."
Fonte: MCTI (22.09.2015)