12/12/2006

Belo Horizonte dissemina novo conceito de educação integral

Por Cássia Gisele Ribeiro, do Aprendiz

Há 12 anos, Belo Horizonte (MG) difunde o programa Escola Plural em que a educação ultrapassa os muros da escola para estar presente em todos os espaços públicos da cidade. O envolvimento entre alunos, educadores, universitários e membros da comunidade na educação não deixa dúvidas de que a ampliação do conceito de educação integral e cidade educadora é um passo importante na busca por educação de qualidade.

Em 1994, o programa surgiu com sua ousada primeira mudança: a ampliação da educação fundamental para nove anos - ação que acabou se tornando política pública nacional e será obrigatória em todas as escolas a partir dos próximos anos. Entretanto, essa ação está longe de ser o centro do programa.

"O maior foco da educação, em Belo Horizonte, é tomar a cidade como um espaço real de formação do indivíduo", afirma a secretaria municipal de educação, Maria do Pillar. Para chegar a esse quadro, o programa atravessou muitos processos. Inicialmente as escolas passaram a ficar abertas o dia todo e as turmas começaram a atuar em tempo integral. "No entanto, vimos que esse formato impossibilitava a criança de se tornar parte de sua região, pois ficava o dia todo fechada dentro da escola", afirma.

O passo seguinte foi centrar a educação em tempo integral, mas fazer com que os educadores comunitários levassem as crianças para outros espaços da cidade nas horas reservadas para isso. A criança passa metade do dia tendo aulas nas salas regulares e, no restante do tempo, é amparada pela escola, mas partindo para outras atividades, em outros espaços. "A escola deve ser a referência quando se trata de educação, o que não significa que todas as ações devam ser realizadas dentro dela", diz a secretária.

Essas atividades só foram possíveis devido às parcerias realizadas com seis universidades da região, entre elas a Pontifícia Universidade Católica, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Estadual de Minas Gerais. Ao todo, são 107 diferentes tipos de atividades extra-curriculares realizadas com as crianças dentro das universidades e monitoradas pelos estudantes do ensino superior. Há também parcerias realizadas com outras instituições da comunidade.

Segundo o secretário municipal adjunto de orçamento e coordenador do projeto Escola Plural, Hugo Voocurca, as atividades mais utilizadas pelos alunos são aquelas relacionadas à informática. "Quem pensa que a garotada só quer saber de jogar bola fora do horário escolar está muito enganado", brinca.

Para que os educadores pudessem mudar sua visão, eles participaram de cursos de capacitação em educação comunitária realizados pela Associação Cidade Escola Aprendiz, que há nove anos trabalha com esse conceito no bairro paulistano da Vila Madalena. Além disso, os gestores das escolas municipais conheceram pessoalmente as experiências de bairro-escola do Aprendiz e de Nova Iguaçu.

Pillar destaca também a importância do trabalho realizado com as famílias. "No projeto Família-Escola, temos como função fazer com que os pais conheçam o cotidiano e o lugar onde vivem seus filhos, de forma que possam participar mais ativamente das decisões tomadas na escola", afirma. "Só é possível participar das decisões quando conhecemos o espaço".

Voocurca destaca que o próximo desafio é avaliar os resultados reais trazidos por todos esses anos de trabalho. Na busca por uma forma confiável de realizar essa avaliação, a cidade procurou o apoio da Fundação Itaú Social, que criou um programa de avaliação do impacto dos projetos sociais e irá ajudar Belo Horizonte com esse trabalho.

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