05/09/2006

Autoridades do governo e da área de EAD apresentaram o Brasil

Por Bárbara Semerene, do Universia

Além das grandes autoridades nacionais e internacionais na área de EAD (Educação a Distância) - como o presidente da ABED (Associação Brasileira de Ensino a Distância), Frederic Litto e o presidente do ICDE, Helmut Hoyer -, a conferência de abertura do evento realizada neste domingo (3) no Hotel Sofitel, contou com a presença do ministro da Educação, Fernando Haddad, do secretário executivo da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto, do diretor do Sebrae, Luiz Carlos Barboza, e representantes da prefeitura e do governo do Rio de Janeiro e da CNI (Confederação Nacional de Indústria). Todos fizeram apresentações para o público de 1200 pessoas, mas a palestra de destaque da noite foi a de Abdul Khan, secretário da UNESCO, e ex-reitor da Universidade Aberta de Indira Gandhi, na Índia, que conta com um milhão e meio de estudantes. Ele contextualizou a Educação a Distância na Sociedade do Conhecimento, pontuou reflexões fundamentais na área atualmente e apresentou soluções básicas.

Todos os conferecistas frisaram a mudança de patamar da Educação a Distância, antes vista com preconceito e como categoria " menor" dentro da Educação, agora altamente valorizada pois tida como meio de inclusão social, modernização e base para o desenvolvimento econômico, político e social na Sociedade do Conhecimento. A abertura funcionou como uma espécie de apresentação do que é feito no Brasil para os membros de 79 países presentes no evento e para apresentar aos brasileiros o trabalho do ICDE com mais profundidade.

O ICDE nasceu em 1938 e desde 1988 tem sede na Noruega. É uma associação membro da UNESCO e, segundo Hoyer, conseguiu este espaço pelo reconhecimento da comunidade internacional do ICDE como o guarda-chuva global de todas as instituições de EAD. Reider Holl, secretário-geral e CEO do ICDE anunciou, em sua conferência, o próximo país que sediária a Conferência, com data marcada para 7 a 10 de junho de 2009: a Holanda.

A Universidade Aberta do Brasil foi bastante mencionada como estratégia fundamental no processo de ampliação da difusão da Educação no País e capacitação de professores nesta área. Apesar disso, tanto Hugo Barreto, da Fundação Roberto Marinho, quanto o ministro Haddad, destacaram as iniciativas do país na Educação Básica. " Diferentemente dos outros países - cujo foco da EAD é no ensino superior - no Brasil o foco sempre foi na Educação Básica" , afirmou Barreto, que divulgou os dois projetos mais recentes da Fundação: o Tecendo Saber (parceria entre o MEC e a Fundação Vale do Rio Doce, que já atinge 20 mil juovens de primeira à quarta séries) e o Multicurso, metodologia de capacitação de professores para o ambiente virtual que já capacitou 3 mil educadores. Haddad destacou que o foco do ministério da Educação está baseado no tripé: financiamento adequado para a educação básica, avaliação e formação de professores. Neste contexto, mencionou o Prova Brasil, avaliação de quarta a oitava séries das escolas públicas, que recebem um boletim que apresenta a situação delas comparativamente ao contexto nacional, estadual e municipal.

Khan, da Unesco, deu o panorama geral da importância da educação a distância no contexto da Sociedade da Educação. " Na Índia, temos vários deuses. O mais idolatrado sempre foi o da Riqueza. O do Conhecimento era pouco. Mas neste século, ele começou a ser mais adorado porque agora conhecimento é riqueza, é a força central de crescimento econômico e social" , afirmou. " Neste contexto, a difusão da Educação para todos é fundamental. E sem tecnologia, não há como o mundo ter acesso à Educação" , completou. Ele enumerou os princiais fundamentos para que sociedade do conhecimento funcione: liberdade, inclusão, dicersidade e enriquecimento. E questionou: " será que estamos conseguindo promover ead para pobres, gente do meio rural, portadores de necessidades especiais, crianças e mulheres? O design é apropriado? A qualidade? Os mecanismos de acesso? A abordagem?" .

Segundo Khan, os países em desenvolvimento precisam resolver as questões de dificuldade tecnológica, limitações de conteúdo e interface, questões políticas e instituicionais, financeiras, legais e éticas. E diagnosticou: " para atingir o sucesso é preciso ter uma visão clara da prioridade, fazser uma abordagem holística e integrada, promover paticipação comunitária e regional, ter apoio governamental, fazer parcerias múltiplas, incentivar soluções inovadoras, promover ambientes apropriados de tecnologia e disponibilizar avaliação e monitoramento" .

Pela primeira vez, Brasil sedia o evento da ICDE
Já há mais de mil inscritos, vindos de todos os cantos do mundo

"Promovendo Qualidade na Educação On-line, na Educação Flexível e na Educação a Distância" é o tema deste ano da 22ª Conferência Mundial de Educação Aberta e a Distância, que começa neste domingo (3) e vai até quarta-feira (6) no hotel Sofitel, no Rio de Janeiro. Deve receber 1500 destacados acadêmicos, pesquisadores e executivos vindos de diversos países, para debater as fronteiras da Educação a Distância.

Um dos mais destacados eventos mundiais de Educação no mundo, a conferência é realizada a cada dois anos, sempre sediada em um país difernete (em 2004, foi em Hong Kong). "Estamos tentando trazer o evento para o Brasil há oito anos", contou o professor Frederic Litto, presidente da ABED (Associção Brasileira de Educação a Distância), responsável pela organização do evento junto com o ICDE (Conselho Internacional de Educação Aberta e a Distância). A demora, segundo ele, se deveu à falta de patrocinadores para bancar o evento - que tem um custo de US$ 1 milhão - e ao receio com relação à violência do país. A Abed conseguiu o patrocínio do CNPq, SEBRAE, Fundação Roberto Marinho e SENAI-SESI.

"E o número de inscritos nos surpreendeu", disse Litto, que está muito otimista com os benefícios que o evento trará ao País. "Os brasileiros terão a oportunidade de ver o que se faz no mundo em EAD e mostrar aos estrangeiros o que se faz aqui. Um problema que normalmente acontecia era que um número pequeno de brasileiros comparecia neste evento nos outros países. Além disso, não costumamos publicar artigos em inglês nas revistas internacionais nesta área. Então, não divulgamos o que é feito em EAD no Brasil. Agora teremos este espaço", explica Litto.

O diretor da Abed dá destaque para a palestra "National evaluations of quality in flexible learning - the cases of Sweden and Denmark", de professores da Swedish National Agency for Higher Education, que vão falar sobre diplomas falsos em EAD. "Isso existe em todo o mundo, não só no Brasil", diz Litto, que também destaca o conferecista Abdul Khan, da UNESCO, ex-reitor da Universidade Aberta de Indira Gandhi, na Índia, que conta com um milhão e meio de estudantes.

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