Aumento da procura por ensino médio pode agravar falta de professores, avalia conselho
Por Deborah Souza, da Agência Brasil
Brasília - O país tem 240 mil professores a menos do que deveria no ensino médio, segundo levantamento do Conselho Nacional de Educação. O quadro pode piorar ainda mais nos próximos anos com a falta de formação de novos professores e como aumento da procura pelo ensino médio, avalia Mozart Neves Ramos, integrante do conselho e e diretor-executivo da organização social Todos pela Educação. O conselho defende que o Ministério da Educação assuma a responsabilidade pela falta de professores no ensino médio, que é administrado pelos governos estaduais.
"Em primeiro lugar, a questão da baixa valorização da carreira do magistério, faz com que muitos jovens talentosos, que até gostaria de se tornar um dia professor, acabam não optando por essa carreira e indo para profissões mais valorizadas", disse Mozart, em entrevista ao jornal Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.
Mozart menciona que dar aula de licenciatura na Universidade Federal de Pernambuco e se depara com alunos, de elevados níveis, que começam o curso, mas depois transferem ou fazem outro vestibular. Para o professor, o baixo salário que hoje é pago ao professor, principalmente do ensino médio, afasta os jovens que se interessam pela área. Ele ainda levanta que, além do número de formação de magistério não ser adequado e suficiente para atender a atual demanda, algumas áreas particulares são muito afetadas, como Química, Física, Matemática e Biologia.
Ele alega que outro drama é o grande percentual de professores que já está próximo ao processo de aposentadoria. "Eu tenho comentado com o próprio ministro da Educação, o Fundeb [Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação], que é um instrumento importantíssimo, vai ampliar o número de alunos também matriculados no ensino médio. Então, se nós hoje, com a demanda que temos, não estamos conseguindo atendê-la,não só porque não formamos um número suficiente, mas também a questão das aposentadorias, imagina quando nós conseguirmos universalizar o ensino médio?", disse o integrante do conselho de educação.
Mozart aborda que, hoje, há somente 41% de jovens, entre 15 e 17 anos, matriculados no ensino médio. Ele conclui que 59% ainda está no ensino fundamental ou fora da escola. Para Ramos, se o Fundeb estimular como se espera a universalização do ensino médio, significa que o problema tem que ser tratado com prioridade no país e vai precisar de um pacto nacional, coordenado pelo Ministério da Educação (MEC), as secretarias estaduais de educação que têm a responsabilidade de oferecer matrículas de ensino médio, as universidades que formam os profissionais e o próprio Conselho Nacional de Educação.
O integrante do Conselho de Educação disse que o Brasil precisa de um planejamento estratégico para a questão da formação inicial de professores e nas áreas particulares, Química, Física, Matemática e Biologia. Para ele, falta estímulo na área educacional, pois alguém se forma numa licenciatura para ganhar R$ 800 por mês, ter que dar 40 horas de aula semanais e não ter uma perspectiva de formação continuada, muitas vezes, como uma questão estratégica da sua formação, além de trabalhar em escolas públicas, em locais extremamente complexos socialmente, que faltam condições adequadas até para o exercício da profissão. Mozart vê que todos esses fatores fazem com que o aluno não se estimule a concluir o seu curso e a exercer.
(Envolverde/Agência Brasil)