Aulas estressantes
Por Thiago Romero
Agência FAPESP - O trabalho docente pode levar a pequenos distúrbios psíquicos. Essa foi a conclusão de um estudo que acaba de ser publicado nos Cadernos de Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O autor da pesquisa, Eduardo José Reis, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), trabalhou com uma amostra de 808 docentes da rede municipal de Vitória da Conquista (BA). O estudo apontou que 56% dos professores apresentaram distúrbios psíquicos classificados como “menores”.
“Apesar de não ser um quadro psiquiátrico já instalado, como uma neurose ou uma psicose, os distúrbios psíquicos ‘menores’ são manifestações que podem ser passageiras, mas que também podem se tornar bem mais graves”, explicou Reis à Agência FAPESP. “De qualquer forma, não deixa de ser um distúrbio que expressa um sofrimento acompanhado de uma sensação de frustração.”
Do total de 808 professores que responderam ao questionário preparado pelo pesquisador, 78% relataram sentir nervosismo, tensão e preocupação constantes, 60% disseram levar sustos com facilidade, 59% reclamaram de dores no estômago, 52% de dores de cabeça freqüentes e 49% contaram estar deprimidos ou tristes.
“Vários fatores podem explicar esse estresse, entre eles a jornada de trabalho extensa, o acúmulo de funções, o excesso de cobrança por parte dos alunos e a chegada do fim do ano, período em que os professores ficam mais saturados”, aponta Reis. O tempo médio de trabalho dos professores analisados foi de 10,4 anos.
O questionário incluiu perguntas sobre o estado sociodemográfico dos professores (renda, idade, sexo e situação conjugal), hábitos saudáveis (prática de atividade física e de lazer), aspectos do trabalho docente (horas semanais trabalhadas e número de turmas e alunos) e atividades domésticas (número de habitantes na casa, responsabilidade sobre os filhos e volume de atividades domésticas).