19/01/2006

Aula extra reforçará orientação de estudos

Por Fabiano Angélico

Atividades extracurriculares a alunos de São Paulo que ficarão na escola em tempo integral incluem de meditação a oficinas de arte.

Grande parte das escolas brasileiras adota aproximadamente cinco horas de aulas, de segunda a sexta. Nas discussões acerca da qualidade do ensino no Brasil, uma das sugestões que aparece com freqüência é a ampliação da carga horária diária. Um projeto que será implementado este ano em 500 escolas públicas do Estado de São Paulo vai colocar a idéia em prática e elevar o tempo de permanência para nove horas.

Os estudantes destas instituições, que estão em 216 municípios paulistas, entrarão na escola às 7h e vão desenvolver atividades até as 16h10. As aulas tradicionais acontecem na parte da manhã, entre 7h e 12h20. Depois desta etapa, os alunos terão uma hora de almoço. Das 13h20 às 16h10, eles terão oficinas de arte, esportes, aulas de filosofia, empreendedorismo, educação ambiental, orientação à pesquisa, meditação, entre outras atividades. O projeto prevê que as escolas participantes ofereçam três refeições: um lanche no meio da manhã, almoço e outro lanche à tarde.

O programa, batizado de Escola Tempo Integral, priorizou as periferias das grandes cidades e os municípios com baixo IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), uma adaptação do IDH aos indicadores regionais brasileiros, elaborada pelo PNUD e outros parceiros.

Uma das atividades que será desenvolvida nas escolas que participam do projeto são as orientações de estudo.

"O alunos precisa saber como pesquisar, para que ele não use a internet simplesmente para copiar os trabalho", indica Sonia Silva, chefe da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), órgão da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo responsável pelo projeto. "Mas, para isso, ele precisa de uma orientação", pondera.

Além da orientação de estudos, as atividades que vão além do conteúdo básico serão concentradas em outros três eixos: esportes; artes; e integração social. “Mas as escolas terão autonomia para determinar as atividades, desde que sigam os quatro eixos”, ressalta Sonia Silva, chefe da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), órgão da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. As oficinas da tarde serão ministradas pelos mesmos professores que lecionam pela manhã. “Uma atividade como a de educação ambiental ou a de cuidados com o corpo será ministrada pelos professores de Ciências”, exemplifica Sônia.

"A permanência na escola, por um período maior em contato com essas atividades oferecidas, tende a levar o aluno a realimentar-se positivamente, fortalecendo o sentimento de pertencimento, na perspectiva de uma escola onde se vive bem, proporcionando harmonia ao convívio humano", diz um trecho do texto de apresentação do projeto Escola de Tempo Integral.

Ao todo, 138 mil estudantes passarão pela experiência de permanecer na escola por cerca de nove horas.

“É importante começar com um número menor. Assim poderemos acompanhar e verificar o que deve ser melhorado para os próximos anos”, afirma a chefe da CENP. A proposta é que o projeto seja ampliado gradativamente a outras escolas de rede pública estadual a partir dos próximos anos.

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