10/04/2026

Aula de Soberania

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

A educação pública ainda tem muito a melhorar — isto é um fato inquestionável. Contudo, por meio de esforços hercúleos de alguns governos municipais e estaduais, somados ao empenho dos profissionais da educação, tais esforços serão efetivados e valerão a pena quando percebermos que, além de desenvolver habilidades essenciais em nossos alunos, conseguimos despertar neles o verdadeiro sentido de patriotismo e soberania nacional.

O país está cansado de falsos patriotas que adoram a bandeira estrangeira, prestam continência a ela e chegam a oferecer nossos recursos naturais em discursos de pré-candidatura, solicitando inclusive a intervenção do presidente americano caso não vençam as eleições que será de forma totalmente democrática, mas isso para eles, é só um detalhe. Todavia, esse "patriotismo" não passa de vassalagem, bajulação ou puro entreguismo.

Como ressaltado em meu livro Educação: uma questão de politizar (Editora Ícone), o patriotismo difere da alienação e da subalternidade. O verdadeiro patriota compreende o Hino à Bandeira Nacional quando diz: "Sobre a imensa Nação Brasileira / Nos momentos de festa ou de dor / Paira sempre sagrada bandeira / Pavilhão da justiça e do amor!". Perceba-se o trecho: "pavilhão da justiça e do amor".

Como visto na obra citada, a justiça traz em si a moral e a ética enraizadas; o homem só alcança a justiça por meio de uma vida reta e virtuosa. Quando a justiça carece de viés moral e ético, ela se torna injusta. O verdadeiro patriota preocupa-se com as condições de saúde do país e com o desenvolvimento de seu povo — enfim, com todas as pessoas. Para que isso ocorra, é necessário que a nação aja com total soberania.

Embora alguns não percebam o exemplo de soberania que nosso governo demonstrou ao enfrentar a empáfia de Donald Trump quanto às taxas abusivas, outro exemplo de soberania reside em um povo que possui pleno entendimento de patriotismo: o Irã. O Irã, apesar de ser um país pequeno em dimensões comparado aos Estados Unidos, enfrenta-os com dignidade e honradez, honrando uma história de 7 mil anos e as muitas guerras de sua existência, tudo para proteger sua soberania.

Não existe argumento que justifique a invasão de um país por outro em nome da “democracia”. Todos sabemos que tal potência imperialista nunca foi exemplo de democracia; é, sim, um usurpador de riquezas minerais (ouro, petróleo, minério, etc.) que fomenta guerras para impulsionar sua própria economia. Como dizia Renato Russo na canção Senhor da Guerra: “Para que exportar comida, se as armas dão mais lucro na exportação?”. Na mesma letra, a parte mais triste está em afirmar que “O Senhor da Guerra não gosta de crianças”, fala que foi tristemente confirmada no dia 28 de fevereiro de 2026, quando o ataque aéreo atribuído aos Estados Unidos atingiu uma escola de meninas em Minab, no sul do Irã, dizimando 165 vidas[1].

Quando esse país usa o nome da democracia, é justamente para colocar alguém no poder que facilite a usurpação com aparência de legitimidade — como feito este ano com a Venezuela e tentativa sem êxito com o próprio Irã.

Como diz o samba-enredo da Estação Primeira da Mangueira, campeã de 2019

[...] Deixa eu te contar / A história que a história não conta / O avesso do mesmo lugar / [...] Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento / Tem sangue retinto pisado / Atrás do herói emoldurado / Mulheres, tamoios, mulatos / Eu quero um país que não está no retrato.

 

Queremos um país soberano, que jamais se prostitua como querem alguns políticos ao entregarem nossas riquezas em troca de joias ou benefícios pessoais. Aprendamos com o Irã a defender nossa soberania. O Brasil não pode permitir-se ser influenciado, persuadido ou usurpado como foram o Iraque (uma das maiores reservas de petróleo), o Afeganistão (com vastos depósitos minerais inexplorados) e a Venezuela (maior reserva de petróleo do mundo), entre outros países que este "pseudo-império" se sente legitimado a saquear. Chegam ao ponto de afrontar o pontificado, exigindo posturas alinhadas aos interesses americanos, baseando-se no poder militar para agir conforme necessário — tal como ocorreu no passado com Adolf Hitler, Benito Mussolini, Francisco Franco e ditadores da América Latina.

Que a educação seja crítica o suficiente para desenvolver em nossos alunos o ideal de soberania, ensinando-lhes que a melhor de todas as armas continuará sendo o conhecimento.

 

 

[1] https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/numero-de-mortos-em-escola-atacada-no-ira/

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