Atleta paraolímpica diz que inclusão de pessoas com deficiência deve começar na escola
Por Yara Aquino, da Agência Brasil
Brasília - Na escola, a estudante Jane Rodrigues não participava das aulas de educação física. Para ter nota e ser aprovada na disciplina, entregava trabalhos escritos.
Isso porque, aos três anos de idade, Jane teve poliomelite (paralisia infantil). Desde então, tem dificuldades de locomoção. A escola não estava preparada para lidar com as necessidades dela. "Eu tinha condições de praticar atividade física, mas não tinha nada adaptado para mim. Então, só depois de adulta conheci o esporte".
No Parapan, Jane conquistou duas medalhas de ouro no tênis de mesa. Ela diz que se tivesse tido apoio desde a infância, ainda na escola, teria resultados ainda melhores. "Mas só agora é que estou trilhando isso". Ela foi uma das atletas dos Jogos Parapan-americanos e esteve nesta quarta-feira (26) no lançamento do Plano Social de Inclusão da Pessoa com Deficiência, no Palácio do Planalto.
Para tentar tornar cada vez mais raras as situações de exclusão de pessoas com deficiência, o plano prevê ações nas áreas de saúde, a educação, infra-estrutura, transportes e habitação. Ao todo, R$ 2,4 bilhões devem ser investidos até 2010. Na educação, por exemplo, deserá ampliado o número de escolas adaptadas e de livros para quem tem deficiência visual.
Terezinha Guilhermina, que quebrou um recorde mundial e foi medalha de outro e prata no Parapan, comemora a iniciativa. "O material pra ser impresso em braile é caro, os CDs que podem ser gravados e os livros em geral são caros. O mundo hoje é totalmente visual e a necessidade de ser independente é grande".
Além de Jane Rodrigues e Terezinha Guilhermina, o nadador paraolímpico Daniel Dias também esteve no lançamento do plano.
Crédito da imagem: USP
(Envolverde/Agência Social)