Associação dos Docentes da USP rejeita greve, mas quer discutir tema nas unidades
Por Miguel Glugoski
A Associação dos Docentes da USP (Adusp) rejeitou nesta segunda-feira (19), por larga maioria (8 votos contra 27), a proposta de greve a partir de terça, mas aprovou um indicativo de greve para ser discutido nas unidades. Também foi rejeitada outra proposta, a de suspensão do indicativo de greve que havia sido aprovada anteriormente pelos docentes. A assembléia foi realizada à tarde e início da noite no auditório da Faculdade de Educação, na Cidade Universitária. No encontro, ficou claro um conflito entre a Adusp e o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) na ECA (Escola de Comunicações e Artes). Professores dessa unidade denunciaram que os representantes dos funcionários não respeitam o direito dos professores de trabalhar, uma vez que a Adusp não tinha aprovado a paralisação, e fecharam o prédio da ECA e também da CCS (Coordenadoria de Comunicação Social). Segundo representante dos professores da unidade, a escola tem compromissos inadiáveis, pois está em processo de avaliação pela Capes e precisa encaminhar relatórios. A Adusp solidarizou-se com os colegas da ECA e encaminhou ao Sintusp um protesto assinado pelo presidente, professor Cesar Minto, que presidiu a assembléia desta segunda-feira.
Representante do sindicato (Brandão) retrucou que são alguns professores que não respeitam o direito dos trabalhadores de apoiar a decisão de entrar em greve, também aprovada em assembléia. Antes da votação, representantes de unidades fizeram uma avaliação da situação em algumas unidades. No Instituto de Matemática e Estatística (IME) há total desmobilização de alunos e funcionários; na ECA, o prédio principal está fechado e falta diálogo entre representantes de funcionários e de professores; na Faculdade de Educação, a paralisação está fraca e os trabalhos são suspensos apenas quando há eventos específicos para tratar da questão salarial e de mais recursos para a educação; no Instituto de Geociências a greve de funcionários é parcial, os alunos a desconhecem; também na FFLCH o trabalho é praticamente normal. A paralisação é total, de acordo com os informes, em todas as unidades da Unesp; mas na Unicamp a decisão foi de parar apenas nos dias 14 e 21. O Centro Paula Souza está em estado de greve, mas só pára esporadicamente.
Os professores mobilizam-se para esta quarta-feira (21), quando deverá haver paralisação das atividades acadêmicas, para participar da audiência pública, entre 9 e 13h, no anfiteatro Franco Montoro da Assembléia Legislativa, e de ato público do funcionalismo em defesa dos serviços públicos essenciais, a partir das 14h, também na Assembléia Legislativa. De acordo com professores e funcionários, a luta sindical nas universidades oficiais paulistas não se restringe ao problema salarial; consideram mais importante a questão da educação no Estado e no País. Defendem basicamente três propostas: 33% da receita de impostos para a educação geral, incluindo 11,6% do ICMS para as universidades estaduais e 2,1% do ICMS para o Centro Paula Souza.
Um estudo da Adusp divulgado em boletim especial afirma que “sob nenhuma hipótese é admissível que a redução do poder aquisitivo de nossos salários seja usada para financiar o funcionamento das instituições públicas de ensino superior”. Diz ainda que “para tentar justificar o ínfimo reajuste de 0,75% que concede na data-base, o Cruesp escuda-se em uma estimativa extremamente conservadora e improvável”. Pelas contas da Adusp, a arrecadação do ICMS deve ficar entre R$ 40,6 e R$ 40,9 bilhões, podendo até ultrapassar essa cifra, ao contrário da estimativa de R$ 40,2 bilhões anunciada pelo Cruesp. De qualquer modo, o reajuste proposto pelos reitores, de 0,75% na data-base, é considerado uma “provocação”.