As Ciências Humanas Contra o Administrador de Colônia Estadunidense
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
O Brasil foi colônia de Portugal por 292 anos — período que se estendeu de 1530 a 1822 —, mas a exploração não terminou por aí. Desde 1500, o país teve suas riquezas usurpadas e vidas nativas dizimadas em nome de um colonialismo que enxergava os povos originários como selvagens. Há uma estimativa clássica de Pandiá Calógeras, citada no livro 1808, de Laurentino Gomes, de que foram enviadas a Portugal entre 1.000 e 3.000 toneladas de ouro. Convertido para a cotação de mercado atual, o peso desse material precioso ultrapassa a cifra de R$ 390 bilhões.
Essa estimativa financeira, contudo, não contabiliza o valor das vidas ceifadas pela escravidão. A extração desse minério era uma atividade extremamente penosa e letal; a expectativa de vida dos escravizados variava entre 5 e 7 anos devido a trabalhos insalubres, acidentes e exaustão extrema. As mortes ocorriam por afogamentos decorrentes de inundações, soterramentos por desmoronamentos de galerias e severas doenças pulmonares, como pneumonia e tuberculose[1].
Vale ressaltar que a exploração lusitana não se limitava ao ouro. Outras riquezas, como o pau-brasil, diamantes, pedras preciosas, prata e demais metais, além da cana-de-açúcar, do algodão e do tabaco, sofreram uma intensa transferência maciça de recursos naturais[2]. O Brasil era a principal fonte de riqueza de Portugal, consolidando-se como um negócio altamente lucrativo que ecoou por anos, mesmo após a independência. Todavia, a mentalidade colonialista ainda persiste em muitos brasileiros, mudando apenas de direção: o que outrora se voltava a Portugal, nos dias atuais manifesta-se como um sentimento de vassalagem por parte de pseudopatriotas em relação aos Estados Unidos da América.
Temos como exemplo um senador que entregou documentos confidenciais ao Senado americano e, em encontro com o presidente daquela nação, prometeu, caso seja eleito, abrir as portas para a completa exploração de nossas terras raras. Vale lembrar que o Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses 17 minerais utilizados na fabricação de tecnologia de ponta, sem contar outras riquezas nacionais, como o petróleo e o minério de ferro, que ficariam à mercê do interesse exploratório americano. Historicamente, os países que sofreram intervenção estadunidense tiveram suas riquezas exauridas e, após a retirada das forças estrangeiras, herdaram apenas a miséria. Apesar disso, o referido parlamentar julga-se no direito de barganhar nossa soberania pelo cargo de um mero "administrador de colônia", visto que, sob tal ótica, deixaríamos de ser uma nação soberana para nos tornarmos uma extensão territorial estrangeira.
Metaforicamente, essa dinâmica assemelha-se a uma praga de gafanhotos em uma lavoura: assim que consumirem todas as riquezas do solo brasileiro, restará apenas a escassez e um doloroso recomeço, a exemplo do que ocorreu no Haiti, no Afeganistão, no Iraque e na Guatemala. É somente por meio da educação e das disciplinas de Ciências Humanas — como a História, focada nos eventos passados e nas transformações políticas; a Geografia, que analisa a relação entre sociedade e espaço; a Filosofia, que debate a ética, a razão e a existência; e a Sociologia, que investiga as estruturas e as desigualdades sociais — que faremos o povo brasileiro compreender o verdadeiro significado de patriotismo, blindando-o contra a estratégia egoísta daqueles que aspiram gerenciar o Brasil como uma colônia estadunidense.
[1] Para mais informações, vide: https://www.instagram.com/p/DWdwCpVCB04/
https://www.geledes.org.br/navios-portugueses-e-brasileiros-fizeram-mais-de-9-mil-viagens-com-escravos-da-africa-para-o-brasil/
https://www.youtube.com/watch?v=vwF29tHoQmY
https://aedasmg.org/2022/05/13/mineracao-e-a-escravidao/
[2] https://www.instagram.com/reel/DL69JrooTIG/