09/08/2006

Apicultores alagoanos conquistam mercado da merenda escolar

Por Rodrigo Rievers, da Agência Sebrae

Uma das estratégias para consolidar o mercado é mostrar que o mel pode tornar ainda mais atraentes e nutritivas as receitas servidas aos alunos

Brasília - Um curso de culinária para merendeiras de escolas públicas. Até aí, nada demais. Afinal, quanto mais saboroso o almoço ou o lanche, melhor. A diferença é que as profissionais da rede municipal de ensino de quatro municípios do sertão de Alagoas vão receber dicas de especialistas sobre como usar o mel de abelhas para deixar as receitas regionais servidas aos alunos ainda mais atraentes e, principalmente, nutritivas.

A série de quatro cursos começa pela cidade de Pão de Açúcar, no dia 14 de agosto. Depois segue para São José da Tapera (dia 16), Santana do Ipanema (dia 18) e Água Branca (dia 19). Em cada município serão capacitadas 20 merendeiras. A carga horária de cada curso será de oito horas, com a realização de aulas práticas utilizando alimentos produzidos na própria região.

A proposta é que as profissionais capacitadas repassem as maneiras de usar o mel na merenda para as outras colegas de trabalho, segundo informa Rubia Solange Soares Barbalho, coordenadora regional do projeto 'APL Apicultura no Sertão' do Sebrae em Alagoas. A Instituição é responsável por levar os especialistas em culinária e nutrição que farão a capacitação das merendeiras.

A ação é apenas uma das que estão sendo realizadas no âmbito do 'APL Apicultura no Sertão', que atende cerca de 200 agricultores familiares de 13 municípios do sertão alagoano. Além do Sebrae, o projeto tem o apoio de parceiros como governos federal e estadual e prefeituras.

As ações realizadas na região envolvem sensibilização e capacitação para associativismo e cooperativismo, manejo de colméias para elevar a produtividade, realização de clínicas tecnológicas para resolver problemas de baixa complexidade e para produção de derivados do mel, como própolis e cera, para fins comerciais.

"O primeiro passo desse projeto foi apoiar os apicultores a se organizarem de forma associativa para negociar o mel com as prefeituras que colocam o produto na merenda escolar", informa Rubia Solange. O trabalho, segundo Rubia, desdobrou-se na formação de uma cooperativa, que está em fase de formalização. Durante dois anos, a Cooperativa dos Produtores de Mel, Derivados e Insumos Apícolas (Coopeapis) funcionará no Núcleo de Incubação de Empresas de Xingó (Niex), na cidade alagoana de Xingó.

O apicultor e presidente da Coopeapis, José Luciano Hilário, diz que a proposta é que, num primeiro momento, a cooperativa funcione como uma central de compras e vendas. Segundo ele, mesmo antes da formação da cooperativa, oito apicultores já realizaram uma primeira experiência de compra conjunta de insumos. "Nessa primeira experiência, conseguimos reduzir em 20% o custo da compra", diz.

Luciano avalia que o projeto 'APL Apicultura no Sertão' trouxe avanços à atividade, principalmente na profissionalização dos pequenos apicultores do sertão alagoano. "Foi um trabalho fundamental. E hoje a diferença para o início do trabalho é enorme, porque os apicultores aprenderam a trabalhar de forma profissional, cuidando melhor das colméias e elevando a produtividade", afirma o presidente da Coopeapis.

O principal resultado está no aumento da produção de mel na região, principalmente se comparadas as safras de 2004, quando o projeto ainda estava no início, com a de 2005. Nesses anos, 67 apicultores estavam produzindo. Em 2004, foram 32 toneladas de mel. E em 2005, 80 toneladas. "A modernização e a tecnologia simples melhoraram as condições dos nossos apicultores e o resultado foi uma produção maior em 2005 e que também deve crescer este ano", diz o presidente da Coopeapis.

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