América Latina e Caribe ficam em 4º lugar nos gastos com educação
A América Latina e o Caribe ocupam o quarto lugar mundial no ranking de gastos públicos em educação, com 4,4% do Produto Interno Bruto regional destinados ao setor, à frente da Europa Central e do Leste e da Ásia Central, do Leste e do Pacífico.
Essa classificação foi feita pelo IEU, Instituto de Estatística da Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em seu Compêndio Mundial da Educação 2007, recentemente publicado e que contém dados de mais de 200 países.
Como era o esperado, são os Governos da América do Norte e da Europa Ocidental os que mais destinaram parte de seus recursos nacionais à educação (5,6% do PIB regional), seguidos dos Estados Árabes e dos da África Subsaariana, com 4,9% e 4,5%, respectivamente.
Com 4,2% e 2,8%, após a América Latina e o Caribe, estão os países da Europa Central e do Leste e da Ásia Central, do Leste e do Pacífico.
Mas se a leitura for feita observando-se quanto cada região acrescentou aos US$ 2,5 trilhões investidos por todos os Governos do mundo em educação no ano de 2004, os países da América Latina e do Caribe sobem um posto na classificação mundial, chegando assim ao terceiro lugar.
Nesse pódio imaginário, América do Norte e Europa Ocidental continuam no posto mais alto (55,1% de contribuição ao total mundial), com os países da Ásia do Leste e do Pacífico no segundo posto (17,6%). A contribuição da América Latina e do Caribe à soma total foi de 7,6%, segundo o relatório divulgado pelo escritório de estudos estatísticos da Unesco.
Apesar do que possa parecer, esta posição "não é ruim como ponto de partida", disse nesta terça-feira (23) o assessor regional do IEU para a América Latina e o Caribe, o argentino Daniel Taccari, em entrevista por telefone de Paris.
E é aceitável, disse ele, porque é "equilibrada", já que o gasto público nessa região (7,6%) é proporcional à quantidade de sua população em idade escolar (9%) e a sua parte da riqueza em nível mundial (8%).
Na tabela do gasto público por aluno em função do PIB "per capita", os países latino-americanos que mais investem no ensino fundamental são, nesta ordem, Cuba, Barbados e São Vicente e Granadinas, em oposição a Guatemala, Peru e Uruguai, os últimos colocados da região.
Cuba, Barbados e São Vicente e Granadinas também lideram a lista dos países da região que mais recursos estatais destinam ao ensino médio, segundo Albert Motivans, chefe da unidade de indicadores e de análise do IEU, com sede no Canadá.
Por outro lado, Guatemala, República Dominicana e Peru são os que menos investem nessa parte da formação, segundo a mesma fonte.
Quanto ao ensino universitário, Belize, Cuba e México são os países que mais destinam recursos de seus cofres públicos, enquanto que Peru e Chile se destacam justamente por fazerem o contrário, disse Motivans.
O caso do Chile é particular, já que o financiamento privado tem um peso importante em seu sistema educacional: só a contribuição familiar destinada diretamente à educação forma 31% do total empregado no setor.
Segundo os dados disponíveis, a Nicarágua é o país latino-americano onde as famílias mais gastam em educação, chegando a ter que cobrir metade destes custos.
O Chile, junto com Cuba, Barbados, Argentina e Uruguai, se encontra entre os países que já conseguiram alcançar o objetivo de universalizar o ensino fundamental, parte dos desafios do Milênio para 2015, segundo Taccari.
Panamá e Peru, entre outros, estão "muito perto" de alcançá-lo, enquanto que Barbados, Guatemala e Honduras terão que fazer "mais esforços", acrescentou Taccari, que, no entanto, se mostrou otimista sobre a possibilidade de todos chegarem a tempo à meta.
(Envolverde/Pnud)