28/07/2006

Amazônia dá lição de casa a aluno viajante

Por Talita Bedinelli

Estudantes brasileiros passam 34 dias conhecendo a realidade da floresta e voltam para casa com vontade de modificar o que viram.

Depois de 34 dias percorrendo a rota feita pelo espanhol Francisco de Orellana no século 16, que culminou no descobrimento do rio Amazonas (em 1541 e 1542), 45 estudantes do Brasil e de outros oito países que abrigam parte da Amazônia voltaram para casa com vontade de modificar seus hábitos pessoais e a realidade que viram. “Depois que você tem uma idéia da degradação dos recursos naturais, você tem uma mudança de consumo. Você começa a pensar: será que preciso realmente de tal coisa?”, contou a acreana Raiza Maçuña Paiva, estudante do último ano do ensino médio.

Com outros cinco jovens brasileiros, Raiza foi selecionada para participar de uma expedição organizada pela OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) que de 24 de junho até esta segunda-feira percorreu o rio Amazonas. O grupo, escolhido por meio de um concurso de redação do Ministério da Educação cujo tema era a Amazônia, foi acompanhado por outros 40 adolescentes da Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa.

“Todo mundo fala o tempo todo em desenvolvimento sustentável, mas às vezes você mesmo não leva uma vida sustentável”, comenta Raiza. Assim como ela, todos os jovens brasileiros que participaram da aventura retornaram para o Brasil com vontade de contribuir com o cuidado do meio ambiente. “Conheci muita coisa interessante e espero poder ajudar de alguma forma a melhorar a situação da floresta”, destaca o tocantinense Sérgio Luiz Wermuth, também estudante do último ano do ensino médio.

O contato com as comunidades ribeirinhas foi um dos aspectos da viagem que mais marcaram os viajantes. “Eles estão sem o apoio de ninguém, são muito pobres. A falta de infra-estrutura é muito grande, eles não têm acesso à saúde. O médico que estava com a gente na viagem sempre atendia as pessoas”, conta a brasiliense Amanda Martimom Morgado, aluna do segundo ano do ensino médio. “Um dia a gente sentou para conversar com alguns índios e eles contaram todos os problemas que estavam vivendo. Isso foi marcante, porque quando você os observa de longe, eles não parecem mais índios, parece que já perderam um pouco da identidade. Mas quando você se aproxima, começa a conversar, percebe que eles compartilham tudo, que vivem um modo de vida bem diferente desse nosso capitalista”, completa.

Durante a expedição, os jovens tiveram também oficinas e palestras sobre os desafios ecológicos da região, os problemas enfrentados atualmente pela população rural, e a história e a cultura da Amazônia. De acordo com a OTCA, a experiência poderá ser repetida no ano que vem, possivelmente com uma nova rota que ainda será definida. “Nós cumprimos nossos objetivos, a expedição foi um sucesso. Estamos quase obrigados a fazer uma nova viagem e formar novos grupos de jovens que queiram trabalhar pelo desenvolvimento sustentável”, afirma a secretária-geral da OTCA, Rosalía Arteaga. “Esse entusiasmo da juventude é positivo e pode ajudar a mudar para o bem a Amazônia”. (PrimaPagina)

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