08/12/2009

Alunos ficam em Jornalismo mesmo sem a obrigatoriedade do diploma

Muito se discutiu sobre os rumos do jornalismo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a não obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Pensava-se que ocorreria uma queda significativa na procura pelo curso, que aumentaria o número de desistências, mas não foi o que se observou nas instituições de ensino.

A coordenadora do curso de jornalismo das Faculdades Integradas do Brasil, Maura Martins, diz que a instituição teve pouquíssimas desistências durante o semestre em decorrência da perda da obrigatoriedade do diploma. "Foi mantida uma porcentagem normal de desistências por semestre, de acordo com mudanças de cidade e de escolhas de novos cursos”, afirma. De acordo com ela, não foi possível sentir efetivamente o impacto da decisão do STF. "O fato tende a valorizar mais os diplomas dos jornalistas formados, pois passam a concorrer com os que não têm formação", acredita.

Segundo a coordenadora do curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Mônica Fort, também não se observou uma queda significativa na procura pelo curso. "Queda houve, mas nada que causasse espanto ou impacto direto no curso", salienta. A coordenadora ainda comenta que dos alunos que trancaram o curso ao longo do semestre, apenas dois justificaram como sendo com base na decisão do STF. "Um dos alunos fazia as faculdades de Jornalismo e Relações Internacionais. Com a decisão pela não obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, ele optou por se dedicar ao outro curso", destaca.

Mônica defende a formação acadêmica no curso de jornalismo. "A formação superior é imprescindível, tanto no jornalismo como em qualquer outra área do conhecimento", enfatiza. Ela diz estar na torcida para que essa decisão seja revogada. "A expectativa para a volta da obrigatoriedade do diploma é grande, espero que dê tudo certo", ressalta.

Frente Parlamentar - Ontem (7) o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor-PR) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) lançaram, no Plenarinho da Assembleia Legislativa, uma Frente Parlamentar em defesa do diploma para os jornalistas. De acordo com o diretor-presidente do Sindijor-PR, Márcio de Oliveira Rodrigues, a Frente é um agrupamento de parlamentares que darão base política à luta dos profissionais, que tentam, via emenda constitucional, restabelecer o requisito da formação superior específica para o exercício da profissão. "Essa união servirá para que seja feita pressão nos deputados federais, que são os que votam as emendas constitucionais. Ao todo 250 deputados e senadores já aderiram às frentes parlamentares", comenta. Esteve presente também o jornalista e presidente da Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade.

Andrade acompanhou toda a mobilização dos jornalistas no país durante o julgamento do STF e agora coordena as ações de convencimento de deputados federais e senadores pela aprovação das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tramitam na Câmara (386/2009) e no Senado (33/2009). Rodrigues acredita que ambas já conseguiram ultrapassar o primeiro obstáculo, que era o de se chegar à discussão nas Comissões de Constituição e Justiça (CCJs).

No último dia 2, a CCJ do Senado se manifestou, com placar de 20 votos a 2, pela constitucionalidade da emenda, que torna novamente obrigatória a formação para os profissionais em atividades próprias da atividade jornalística. Além disso, assegura a atuação dos colaboradores de outras áreas, que podem se manifestar nos meios de comunicação, sobre suas áreas atuação com críticas e comentários.

 


(Envolverde/Nota 10)
 
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