16/12/2009

Alunos da Enfermagem conquistam escolas públicas estaduais

Estudantes da Licenciatura da Escola de Enfermagem (EERP), após quatro anos de trabalho contínuo, estabelecem forte vínculo com os alunos do ensino fundamental e médio e conquistam “uma mentalidade de promoção de saúde e não somente de prevenção”, comemora o professor Ronildo Alves dos Santos, do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas.

Em parceria com a Secretaria Estadual de Educação, a EERP desenvolveu ações em onze diferentes escolas de Ribeirão e são parte dos programas das disciplinas “Promoção de Saúde na Educação Básica”, com alunos do 2º ano, e “Estágio Supervisionado na Educação Básica”, do 4º ano. Elas acontecem desde 2006, quando teve início o curso de Licenciatura em Enfermagem. Este ano, 39 alunos de estágio cumpriram 12 horas semanais de atividades em oito escolas estaduais da cidade, enquanto 49 alunos do 2º.ano desenvolveram trabalhos quinzenais em outras três escolas da cidade.

Nessas escolas os graduandos buscam conhecer as dúvidas e curiosidades dos adolescentes e preparam aulas não formais e não tradicionais sobre temas de maior interesse. Neste ano, por exemplo, foi discutida a gripe suína, como forma de desmistificar toda a celeuma que se criou em relação à doença. Mas sexo e drogas são os assuntos de maior interesse, até em função da idade, segundo o professor. “Eles acham que já têm informações suficientes e realmente têm, mas não sabem utilizar a seu favor.”

Programa de formação
A idéia do trabalho com a escola (fundamental e média) é um atendimento baseado no programa de formação de professores da USP e nas diretrizes curriculares e de formação de professores do Ministério da Educação. “O aluno começa a trabalhar e desenvolver atividades na área de educação logo no 2º.ano, com a prática integrada à formação específica. No caso, formação pedagógica e formação profissional”, aponta Santos.

Faz parte, então, da programação curricular esse trabalho nas escolas. “O aluno é colocado em contato com os sujeitos sociais, para viver suas relações, fazer reconhecimento dos projetos políticos e pedagógicos; conhecer a realidade daquela comunidade, como a saúde está inserida naquele contexto. Ao seu referencial teórico é agregado o contato com a realidade para que se torne um profissional mais crítico e reflexivo”, argumenta o professor.

Para a professora Ana Maria de Freitas Chagas, coordenadora do ensino fundamental da Escola Estadual Profª Amélia dos Santos Musa, que participa do projeto, o que mais chamou atenção foi o vínculo criado com seus alunos. Segundo ela, isso foi possível pela maneira como as atividades foram conduzidas. “Não foi uma coisa imposta. Somente depois de conhecer a realidade da escola e dos nossos alunos e o que eles queriam saber é que eram propostas as atividades”, analisa.

“Os universitários e pesquisadores iam às escolas como quem vai a um campo de pesquisa; não faziam acompanhamento”, lembra Santos. Para ele, foi preciso quebrar essa imagem. “Num contexto de formação do profissional, é importante abrir o leque de informações e formar um generalista e não um especialista. E a parceria com as escolas está colaborando muito”, finaliza Santos.

Crédito da imagem: divulgação
(Envolverde/Agência USP de Notícias)

 
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Assine

Assine gratuitamente nossa revista e receba por email as novidades semanais.

×
Assine

Está com alguma dúvida? Quer fazer alguma sugestão para nós? Então, fale conosco pelo formulário abaixo.

×