O projeto busca despertar o interesse por questões ambientais.Com a finalidade principal de ensinar geometria, estimular a imaginação e ao mesmo tempo despertar o interesse do aluno pela biodiversidade da fauna local, a Secretaria Municipal da Educação de São Sebastião (SP), por meio da professora Cleide Aparecida Domingos, propôs o Projeto Geometrização das Flores. A proposta teve como foco estudantes da sétima série do Ensino Fundamental.
Nos objetivos específicos o reconhecimento, bem como ampliação e aprofundamento dos conhecimentos de figuras geométricas planas e não planas. Atividades de observação, análise e construção (desenho geométrico) são algumas das metodologias. No conteúdo aplicado estão os conceitos de razão e proporção. Nos objetivos gerais, ensinar geometria de forma diferenciada e despertar no estudante o interesse pelas espécies da flora nativas.
O ensinamento é realizado através de ponto, retas, semi-retas, segmento de reta, retas paralelas e perpendiculares, medianiz, ângulos, circunferência, quadrado, triângulo e retângulo. Também é usada a aplicação por homotetia - propriedade das figuras semelhantes e semelhantes dispostas, isto é, figuras cujos pontos são ligados por segmentos de reta que tem um ponto comum que os divide numa razão constante.
O desenvolvimento do trabalho é simples. O aluno aprende a manusear o compasso, esquadro, transferidor e a régua. Mediante aprendizado, os estudantes constroem figuras planas e não planas. Os estudantes também são estimulados a pesquisar conceitos de razão e proporção. Depois, cada um ou cada grupo escolhe uma figura ou uma foto de flor para ampliação por homotetia. Além disso, são usados outros recursos materiais, tais como livros didáticos e paraditádicos, revistas, tinta, pincel, papel Paraná, etc.
Como estratégias de avaliações, o projeto aponta o uso de aula interrogativa, construção (desenho geométrico) e muita pesquisa. Já como produto final há a própria produção de quadros. O ideal é que a análise do progresso do aluno seja feita durante todo o processo. Segundo coordenadores do projeto, uma das formas de despertar o interesse do aluno é fazer uma conexão da matéria estudada (neste caso a geometria) com a vida pessoal, a social e ambiental.
O professor Fernando Roberto Martins, do Departamento de Botânica do Instituto de Biologia da Unicamp, lembra que a Mata Atlântica está presente tanto na região litorânea como nos planaltos e serras do interior, de Norte a Sul do Brasil. Perto dos oceanos ficam as planícies de restinga, mangues, lagunas, dunas. A Serra do Mar, na Região Sudeste, é a primeira barreira natural no caminho do interior. Em tamanha extensão, a variedade de formações, ecossistemas, espécies florísticas e de animais é muito vasta.
A floresta abriga derradeiros exemplares de quaresmeiras, araucárias, urucuns, jacarandás, etc. O Brasil tem a menor orquídea conhecida do mundo, a Barbrodria miersii. Ela ocorre na Mata Atlântica e sua flor é do tamanho da cabeça de um alfinete. Através da pesquisa e da observação de folhas e flores de espécies da flora brasileira, é possível despertar no aluno o interesse por questões ambientais. Para o educador que deseja se inspirar, uma boa dica de leitura é o livro “Plantas medicinais na Amazônia”.
A obra é parte integrante de um projeto desenvolvido por docentes, pesquisadores e estudantes de Botânica da Unesp. O livro traz um estudo etnofarmacológico regional que resgata a cultura popular de grupos étnicos referente ao uso de plantas com fins terapêuticos. A obra traz - em formato de desenhos - figuras de flores e plantas onde o aluno também poderá analisar, observar e depois se inspirar para desenhar pontos, retas, ângulos, circunferência, quadrado, triângulo e retângulo de suas flores escolhidas (preferidas). Além disso, o livro traz descrição da planta e sinônimos (seu nome popular nas diversas regiões do país); informações sobre dados químicos e toxicológicos; gênero etc.
(Envolverde/Pauta Social) |