Alagoas tenta alfabetizar 400 mil em 4 anos
Por Alan Infante, do PNUD
Governo eleito faz plano para tirar o Estado do último lugar no ranking de alfabetização; 29,5% da população não sabe ler nem escrever.
O governo eleito em primeiro turno em Alagoas está elaborando um plano para começar, no próximo ano, as ações para cumprir a promessa de campanha de alfabetizar 400 mil pessoas até 2010 e, dessa forma, reduzir a taxa de analfabetismo do Estado aos patamares brasileiros. Em 2004, mais de um quarto da população com 15 anos ou mais (29,5%) não sabia ler e escrever — o pior indicador do país, equivalente a 2,5 vezes a taxa nacional (11,4%). O quadro é ainda mais grave quando se analisa a situação na região rural, onde quase metade dos habitantes (46,5%) é analfabeta, segundo a edição de 2004 da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A educação é um dos três eixos estratégicos do plano de gestão do futuro governo, que ainda pretende centrar os esforços nos setores de turismo e em agronegócio e indústria, afirma Oswaldo Viegas, integrante da equipe de transição do governador eleito, Teotônio Vilela Filho. “Os indicadores sociais de Alagoas nos colocam nos últimos lugares do país, queremos mudar isso”, declara.
Para começar a planejar os projetos que buscam concretizar os compromissos de campanha, o futuro governador fechou um acordo com o PNUD. A parceria prevê que a agência dará apoio técnico à equipe de transição e ao governo do Estado, assim que a nova gestão estiver instalada. “Dependendo da magnitude das ações em conjunto entre o governo de Alagoas e o PNUD, pode se justificar inclusive a implantação de um escritório do PNUD no Estado”, adianta o representante-residente-adjunto da agência da ONU, Lucien Muñoz.
A idéia do novo governo é estabelecer planos integradores que permitam, ao mesmo tempo, estimular o crescimento econômico do Estado e melhorar a qualidade de vida da população, segundo Viegas. “Um dos projetos é investir nos arranjos produtivos locais: ovinocultura, capricultura, apicultura. Temos muitos produtores no Estado. Também existem muitas fabriquetas de laticínio, que têm um patamar tecnológico muito baixo e não atendem os requisitos para receber o selo da Vigilância Sanitária. Vamos melhorar isso”, conta.
No setor de turismo, os planos são mais voltados à diversificação dos destinos oferecidos e à profissionalização da estrutura receptiva. “A idéia é explorar mais o sertão, municípios como Marechal Deodoro, Penedo, e Zumbi dos Palmares. Hoje, Alagoas é conhecida pelos turistas basicamente pelo turismo de sol e mar. É muito restrito”, aponta. “Para isso, vamos investir na profissionalização e em infra-estrutura”, diz. (PrimaPagina)