Agências promovem estágios no exterior para ensinar rotina de fazendas
Por Lilian Burgardt
Cuidar dos animais, visitar a horta, acompanhar o plantio, a colheita...ufa! A rotina de uma fazenda não é mesmo fácil. Quem pretende investir no ambiente rural para criar seu próprio negócio ou seguir carreira tem muitas lições a aprender. Apesar de o modelo administrativo brasileiro não incentivar que o empresário rural bote a mão no barro, isto é, more em sua fazenda e viva, na prática, o dia-a-dia de seu negócio, são estas as lições que os jovens interessados em ser futuros produtores ou profissionais da área aprendem em estágios práticos no exterior.
Países como: Estados Unidos; Canadá; Austrália; Israel; entre outros, possuem modelos de negócio bem-sucedidos em propriedades rurais. Muitos jovens têm descoberto isso e, quando têm condições, preferem apostar nesta idéia à tradicional experiência em fazendas tupiniquins", explica o diretor da CAEP Brasil, agência de trabalho no exterior que oferece esta modalidade de programa, Flávio Salvadego.
Há estágios nas áreas de agricultura, pecuária, horticultura, apicultura, vinicultura, cuidado com eqüinos e suínos. Todas muito procuradas tanto por estudantes de ensino técnico e superior, como por produtores e filhos de produtores rurais que pretendem ter esta experiência no currículo. A experiência pode valer até como estágio obrigatório durante a graduação, no caso da agência de intercâmbio ter convênio com a universidade. Já para os produtores ou futuros produtores, é uma chance de enxergar a realidade de uma fazenda "nua e crua".
A rotina é realmente puxada. Quem pensa que vai observar os "peões" trabalharem está muito enganado. "Conosco o jovem põe a mão na enxada, dirige o trator, participa da colheita. Ficar parado é praticamente impossível", alerta Salvadego.
Nos bastidores
Foi isso que o estudante Thiago Zanellato, de 25 anos, aprendeu durante seu estágio nos Estados Unidos. Em 2003, o londrinense recém-formado em Agronomia partiu para Flórida para trabalhar durante 11 meses com a produção de laranja "Citrus". Durante os seis primeiros meses, fazia parte de sua rotina atuar na produção e manutenção dos pomares nas propriedades.
Com a mudança de estação, o tempo esfriou, e o trabalho diminuiu. Então Zanellato foi enviado para realizar atividades em uma indústria do setor. Durante os cinco meses finais do programa, ele atuou em uma indústria esmagadora de laranja para suco e polpa e, também, no empacotamento de Frutas in natura para comercialização e exportação.
É claro que existem dificuldades de adaptação. Os filhos de produtores, em particular, se mostram mais resistentes ao estágio prático. "Nos Estados Unidos, o proprietário mora em sua fazenda, trabalha na produção e acompanha de perto os processos. No Brasil, o dono do negócio vive na metrópole e deixa o 'trabalho sujo' para os funcionários da fazenda", esclarece Salvadego. "Houve casos de pais me ligarem aqui dizendo que seus filhos estão trabalhando como escravos. 'Imagine! Meu filho universitário trabalhando de peão no exterior´", brinca. Segundo ele, é aí que entra o trabalho de conscientização dos pais sobre a diferença do modelo de negócio dos países e sua contribuição para a carreira do futuro produtor.
Será que eu vou?
Você pode se perguntar, com tanta "ralação" assim, o que leva tanta gente a buscar tal experiência. Não seria mais fácil optar por um curso de inglês no exterior ou, para as meninas, o programa Au Pair ? "O diferencial do estágio rural é que, além de uma nova cultura, o programa oferece conhecimento específico sobre o modelo de negócio rural de cada um dos países, permitindo ao jovem trazer novas idéias para seu ambiente de trabalho aqui no Brasil", diz o diretor da CAEP Brasil.
Na opinião do coordenador da MBrazil, outra agência que atua com este tipo de estágio, Marcelo Toledo, além da prática, os intercambistas terão o lado social muito desenvolvido, fazendo networking com outros jovens das mais diferentes regiões do mundo e com interesses alinhados aos seus. "Esta é mais uma chance de ampliar sua rede de contatos para o bem de seu negócio ou de sua carreira", ressalta. Outra vantagem é que estes programas costumam oferecer boas remunerações. "O intercambista pode ganhar até US$ 10 por dia trabalhando em fazendas", acrescenta Salvadego. Confira, no rodapé da página, o box com alguns destes programas, seus pré-requisitos e suas respectivas remunerações.
Atividade exclusiva no campo, oportunidade exclusiva para quem vai atuar neste setor. Para desfrutar de tantas vantagens, é necessário ter noções das atividades rurais ou, pelo menos, muito interesse na área. "Quem pensa que vai para fazenda e depois dá um jeitinho de mudar para outro programa está muito enganado. Se o candidato não se adaptar, ele volta para o Brasil. De maneira alguma ele é remanejado para um outro estágio que não esteja relacionado às atividades do setor", conclui Salvadego.
Austrália
Intercâmbio - estágio agrícola na Austrália
Estágio: agricultura, horticultura e pecúaria.
Requisitos: idade entre 18 e 28 anos;
experiência prática na área de interesse do estágio; e conhecimento intermediário de inglês.
Remuneração: míinimo AUS $270,00 e máximo $400 Australian dólares por semana. O Dólar Australiano vale 20% menos que o USDolar.
Estados Unidos
Intercâmbio - estágio agrícola nos Estados Unidos
Estágio: em todos os seguimentos Agropecuários.
Requisito: idade entre 18 e 28 anos;
experiência rural na área de interesse; e conhecimento intermediário de inglês
Israel
Intercâmbio - estágio cultural em Israel (voluntário)
Estágio: existem Kibbutz nas áreas de agricultura, serviço social, indústria e turismo. Israel oferece a oportunidade de vivência cultural como voluntário em um Kibbutz.
Permanência minima de 2 e máximo 6 meses.
Requisitos: idade de 18 a 35 anos.
A remuneração oferecida é de apenas U$80,00 dólares mensais - suficientes para as despesas pessoais.
Nova Zelândia
Intercâmbio na Nova Zelândia
Remuneração: salário de NZ$ 11,50 a hora (aprox R$16,00/hora) para pessoas de ambos os sexos.
- Média mensal de NZ$2.208 - (aprox R$3.090,00)
- Acomodação e transporte fornecidos pela fazenda com custos reduzidos ;
- Fazenda assessora na troca do visto de turista pelo visto de Trabalho -
(IRD e SWP).