13/05/2026

A saúde mental de professores e estudantes no cenário pós-pandemia: desafios para a escola contemporânea

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Cleciane Pereira de Sousa

Licenciatura em Pedagogia. Especialista em Psicopedagogia Clinica e Institucional. Primavera do Leste, MT.

Mariana Aparecida Carmo de Albuquerquer

Licenciatura em Quimica . Primavera do Leste, MT.

Leidylaura Pereira Nelis

Ensino Medio . Primavera do Leste, MT.

Lavinya Izabella Nelis de Queiroz

Ensino Medio . Primavera do Leste, MT.

Maria Aparecida De Oliveira

Ensino Medio . Primavera do Leste, MT.


      A pandemia da COVID-19 provocou profundas transformações sociais, econômicas e educacionais em todo o mundo. No campo da educação, o fechamento das escolas, a implementação do ensino remoto e o isolamento social produziram impactos significativos sobre professores, estudantes e famílias. Mesmo após o retorno das atividades presenciais, os efeitos emocionais desse período continuam presentes no cotidiano escolar.

      Questões relacionadas à ansiedade, estresse, desmotivação, dificuldades de aprendizagem e exaustão emocional passaram a ocupar espaço central nos debates educacionais contemporâneos. A escola, além de suas funções pedagógicas tradicionais, passou a lidar de forma mais intensa com demandas relacionadas ao cuidado emocional e à saúde mental da comunidade escolar.

      Nesse contexto, discutir saúde mental na educação tornou-se uma necessidade urgente. O ambiente escolar contemporâneo enfrenta o desafio de reconstruir vínculos pedagógicos fragilizados durante a pandemia, ao mesmo tempo em que precisa responder ao aumento das demandas emocionais de estudantes e profissionais da educação.

      A pandemia intensificou problemas já existentes na educação pública brasileira. Antes mesmo da crise sanitária, muitos professores conviviam com sobrecarga de trabalho, baixos salários, precarização profissional e falta de reconhecimento social. O ensino remoto ampliou essas dificuldades, exigindo rápida adaptação tecnológica e aumento significativo das demandas laborais.

      Durante esse período, inúmeros docentes passaram a trabalhar por longas jornadas diante de computadores e celulares, muitas vezes sem suporte institucional adequado. A necessidade de preparar aulas virtuais, responder mensagens constantemente e acompanhar estudantes à distância gerou elevados níveis de cansaço físico e emocional.

      Após o retorno presencial, esperava-se uma gradual normalização das atividades escolares. Entretanto, muitas escolas passaram a enfrentar novos desafios relacionados à saúde mental dos estudantes. Casos de ansiedade, dificuldades de socialização, agressividade, tristeza profunda e desinteresse pelas atividades escolares tornaram-se mais frequentes no cotidiano educacional.

      Entre crianças e adolescentes, o período de isolamento provocou prejuízos importantes na convivência social e no desenvolvimento emocional. Muitos estudantes retornaram às escolas apresentando dificuldades de concentração, insegurança e defasagens de aprendizagem acumuladas durante o ensino remoto.

      Além disso, a ampliação do uso das tecnologias digitais durante a pandemia também contribuiu para mudanças comportamentais significativas. O excesso de exposição às telas, a hiperconectividade e o consumo intenso de redes sociais passaram a influenciar diretamente aspectos emocionais e relacionais dos estudantes.

      Nesse cenário, os professores frequentemente assumem funções que ultrapassam o trabalho pedagógico. Muitos acabam atuando como mediadores emocionais, ouvindo relatos de sofrimento, conflitos familiares e problemas psicológicos dos alunos. Embora esse acolhimento seja importante, a ausência de equipes multidisciplinares nas escolas dificulta o encaminhamento adequado dessas situações.

      A precariedade das políticas públicas de saúde mental na educação também representa um problema relevante. Em muitas redes públicas, inexistem psicólogos escolares, assistentes sociais ou programas permanentes de acompanhamento emocional para estudantes e profissionais da educação.

      Outro fator preocupante é a naturalização do adoecimento docente. Sintomas como ansiedade crônica, estresse intenso e esgotamento emocional muitas vezes são tratados como consequências normais da profissão. Isso contribui para o agravamento de quadros de sofrimento psíquico e aumento do afastamento de profissionais por questões relacionadas à saúde mental.

      Diante dessa realidade, torna-se necessário compreender que o cuidado emocional na escola não pode ser reduzido a ações isoladas ou campanhas pontuais. A promoção da saúde mental exige políticas estruturadas, melhoria das condições de trabalho docente e fortalecimento das redes de apoio institucional.

      Também é importante reconhecer que a escola sozinha não consegue resolver problemas sociais amplos relacionados à desigualdade, violência, pobreza e insegurança alimentar, fatores que impactam diretamente o bem-estar emocional dos estudantes.

      Por outro lado, a escola possui papel fundamental na construção de ambientes mais acolhedores e humanizados. Práticas pedagógicas baseadas no diálogo, escuta ativa, respeito às diferenças e fortalecimento dos vínculos coletivos podem contribuir significativamente para a melhoria do clima escolar.

      Projetos voltados à convivência, educação emocional e cultura de paz também se tornam importantes ferramentas no enfrentamento dos desafios atuais. Mais do que recuperar conteúdos perdidos durante a pandemia, a educação contemporânea precisa reconstruir relações humanas fragilizadas pelo isolamento e pelas múltiplas crises sociais recentes.

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