A Função Docente sob Ataque: Desmascarando o Discurso do Homeschooling
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Cada dia que passa, percebemos que realmente somos carentes de políticos sérios e que o povo necessita urgentemente de um tratamento de choque para aprender a votar. Isso porque, quando se pensa que não tem como piorar, vem um deputado com três anos de parlamento e com um único projeto de sua autoria aprovado no Congresso Nacional destilar chorume em relação ao homeschooling, conhecido por nós como educação domiciliar.
São várias as estultices ditas por esse parlamentar para defender o patronato e aumentar as desigualdades sociais. Uma delas, bem recente, foi a defesa do homeschooling, pois, para ele, é inadmissível os pais pegarem seu filho e o colocarem nas mãos de um desconhecido, que no caso é o professor.
Fazendo a mesma analogia, seria também inadmissível você pegar seu filho recém-nascido e colocá-lo nas mãos de um estranho, que no caso é um médico especialista em pediatria; ou até mesmo se permitir ser atendido por um indivíduo que nunca viu, e com quem sequer tem intimidade, para consultas de proctologia, urologia ou ginecologia, dentre outras especialidades.
O fato é que parlamentares extremistas veem o professor como inimigo da sociedade que eles almejam — claro, uma sociedade formada por imbecis manipulados e bem docilizados, para que suas arbitrariedades sejam validadas e nunca questionadas. São falas de uma pessoa medíocre que, sem profissão, apesar de ser bacharel em Direito, não possui a carteira da OAB.
Infelizmente, trata-se de um parlamentar que tem milhões de seguidores, e são milhões os que acreditam em suas imbecilidades e em suas falas sem propriedade. Ao defender o homeschooling, ele não demonstra que desconhece a verdadeira função docente; ele a conhece, mas estrategicamente prefere levar seus seguidores ao completo analfabetismo funcional e à perda e/ou não desenvolvimento das consciências de classe, raça e política.
Ele sabe que os primeiros anos são essenciais nos processos de socialização da criança, tornando-se a fase mais crítica do desenvolvimento humano. Isso porque é nessa etapa que se trabalha o desenvolvimento cognitivo e a linguagem, as habilidades socioemocionais, a autonomia e a socialização, além da prevenção da evasão escolar — já que crianças com uma boa base na primeira infância tendem a concluir os estudos.
É advertido pelo Ministério da Saúde que crianças que recebem estímulos adequados têm benefícios intelectuais a longo prazo, e a ausência desses estímulos compromete a capacidade intelectual futura. É justamente nesse ponto que está a estratégia dele.
Ao adotar o homeschooling, a criança é privada de seu direito inalienável a uma educação de qualidade. Sem a convivência diária com seus pares, ela perde a oportunidade de interagir e de aprender a lidar com a pluralidade de realidades sociais e culturais. A vivência escolar inclusiva é o que ensina o respeito e a empatia, desenvolvendo a autonomia e as habilidades necessárias para a resolução de conflitos.
De acordo com Vieira[1], pais de alunos de escolas públicas têm, em sua maioria, o Ensino Fundamental incompleto ou não concluíram o Ensino Médio. Logo, são pais despreparados para a função de ensinar seus filhos a desenvolverem todas as habilidades indicadas na BNCC. Vale complementar, com base na pesquisa realizada pelo Observatório da Alimentação Escolar, que 56% dos alunos das escolas públicas têm como alimentação principal a merenda oferecida pelas instituições. Isso é endossado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que aponta que essa alimentação supre 70% das necessidades nutricionais exigidas para um desenvolvimento saudável, facilitando, dessa forma, o crescimento da criança e o seu aprendizado.
Enfim, como educadores, poderíamos dissertar sobre vários reveses que o homeschooling traria para a vida do educando e, em concomitância, para a sociedade. Todavia, a falta de sinapse cognitiva proibiria esse parlamentar de ter um entendimento razoável, já que sua imbecilidade é proporcional ao seu ego.
[1]https://www.anpae.org.br/IBERO_AMERICANO_IV/GT3/GT3_Coimunicacao/MarcosAntonioVieira_GT3_integral.pdf