A Filosofia Wabi-Sabi na Escola
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
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Temos muito a aprender com a cultura oriental, que prioriza o senso de coletividade, a pontualidade, a disciplina, a educação, a cortesia, a limpeza, a organização, o trabalho e a dedicação, dentre outros valores que muitas vezes fogem à nossa própria cultura.
Um fato curioso está na cultura nipônica e na sabedoria japonesa, que trabalha com o Wabi-Sabi e celebra a beleza da imperfeição. Como ressalto em meu livro TEA - Transtorno do Espectro Autista: Um Laudo Tardio, publicado em 2024 pela Editora Ícone, defendo a tese de que somos perfeitos mesmo em nossas imperfeições. É exatamente isso que propõe o Wabi-Sabi, pois essa filosofia nos faz refletir sobre três princípios fundamentais: nada é perfeito, nada está terminado e nada dura para sempre.
Observe que a perfeição é apenas uma questão de ponto de vista. O fato de sermos simples mortais nos mostra o quão imperfeitos somos, sem contar que estamos em constante construção. Essa realidade valida o segundo princípio da filosofia japonesa, visto que a nossa incompletude funciona como um incentivo para melhorarmos como pessoas a cada dia. Além disso, a certeza de que nada dura para sempre evidencia a nossa fragilidade, fazendo valer a célebre máxima de que "tudo que é sólido desmancha no ar".
É interessante perceber que a sabedoria Wabi-Sabi pode ser perfeitamente aplicada na educação. Ela permite ao professor fazer o aluno compreender que o erro é parte natural do processo de aprendizagem, e não um fracasso, mostrando que o desenvolvimento está relacionado a um percurso contínuo. Numa educação baseada no Wabi-Sabi, vivencia-se a verdadeira humanização da escola, pois os educandos aprendem a aceitar as falhas como componentes naturais de quem são, transformando-as em busca por evolução moral e individual.
Cabe ressaltar que as escolas que trabalham sob a égide dessa sabedoria contribuem diretamente para a redução da ansiedade. Afinal, uma menor pressão em busca do perfeccionismo diminui o burnout escolar decorrente da autocobrança. Além disso, o aluno passa a ser valorizado de acordo com sua evolução ao longo do período letivo, e não apenas pelo resultado de uma única prova.
Uma instituição que aplica a filosofia do Wabi-Sabi está ciente de que a saúde mental de seus estudantes é de suma importância. Por isso, oferece um ambiente de aprendizado mais realista, humanizado e acolhedor, desconstruindo a educação perfeccionista — que costuma fazer o aluno desenvolver uma compulsão por padrões inalcançáveis. Esse acolhimento passa a ser o grande diferencial para que o estudante busque o verdadeiro conhecimento. Quando não há o peso do julgamento, a criatividade se desenvolve com mais liberdade, já que o medo de errar ou de ser criticado cria empecilhos para soluções inovadoras e autênticas, características que são o braço forte do empreendedorismo.
Por fim, a aceitação de que não somos perfeitos nos faz valorizar as peculiaridades de cada indivíduo, respeitando o ritmo de cada um, as diferenças e a neurodiversidade cognitiva. Essa postura proporciona um ambiente estritamente colaborativo, reduzindo a competição destrutiva e fomentando a coopetição — técnica amplamente utilizada na gestão do conhecimento, conforme ressaltado em meu livro Gestão do Conhecimento, Educação e Sociedade do Conhecimento, também publicado pela Editora Ícone. Em suma, a educação passa a ser vista como uma forma leve de fazer com que os alunos alcancem o ápice de seu potencial, sem que isso lhes custe o equilíbrio emocional.