24/09/2026

A Doutrina Monroe e a Luta pela Soberania do Brasil

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – http://www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

Existe um lema estadunidense que diz que a “América é para os americanos”. Ele surgiu em 1823 com o objetivo central de afastar a Europa das terras americanas, mas, se analisarmos essa fala, a "América para os americanos" implica dizer que todo país que estiver no continente fará parte de sua possessão, com o direito de usurpar seus vizinhos. Afinal de contas, os Estados Unidos se veem como uma região prometida por Deus, onde todo país que não faça parte de sua extensão territorial deve ser considerado um vassalo, o que lhes daria o direito de usurpar suas riquezas, custe o que custar.

Dito isso, a Doutrina Monroe se resume no direito de roubar as riquezas de outros países, como aconteceu recentemente na Venezuela, em que o presidente Donald Trump afirmou o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas venezuelanas. Isto é, trata-se do sequestro da riqueza da Venezuela, o que deixará seu povo ainda mais miserável.

O povo estadunidense acha-se no direito de invadir países latino-americanos, apagar suas culturas, usurpar suas riquezas, violar suas mulheres e subjugar seu povo em nome de uma doutrina imperialista, reforçada por pessoas que, ao invés de defenderem a soberania de seu próprio país, entregam-se à vassalagem aos Estados Unidos.

A soberania de uma nação não se limita ao controle do território; ela extrapola para a capacidade de um país tomar suas próprias decisões políticas, econômicas e culturais sem qualquer tipo de interferência externa, mesmo que isso custe retaliações — como ocorreu em Cuba, que não permitiu que seu território se tornasse um lugar de jogatina e de prostituição de suas mulheres.

O fato é que, quando um país apaga ou ressignifica sua história ao aceitar modelos estrangeiros impostos por essa potência imperialista e opressora, ele dá subsídios para que tal doutrina se efetive. Uma forma de dificultar e/ou erradicar pensamentos de entreguismo e falso patriotismo é por meio de uma educação de qualidade trabalhada muito bem por Paulo Freire, que tire o aluno desse entorpecimento imbecilizado de imaginar que os Estados Unidos deveriam ser uma referência — um país que dizimou vidas, roubou riquezas, apagou histórias e que tem a guerra como uma das bases de sua economia. Trata-se de um Estado belicoso que instiga conflitos para vender seus armamentos, vivendo da guerra, da miséria e da morte.

Será por meio dessa educação que o aluno perceberá a manipulação e combaterá a dominação ideológica, pois ele terá conhecimento da própria história, geografia, economia e, principalmente, geopolítica. Isso facilitará a percepção dos mecanismos de dominação, refutando qualquer tipo de narrativa de submissão, como a proferida por um de nossos presidenciáveis ao prometer ao governo Trump o controle de nossas terras raras.

A educação favorece o discernimento e o senso crítico, além de alavancar a soberania científica e tecnológica por meio de universidades e pesquisas. Isso faz romper a dependência econômica das grandes potências, dando autonomia para que o país se desenvolva por si só. A Doutrina Monroe pode até existir para o povo estadunidense, mas isso não faz com que país algum seja o seu quintal, porque cada nação tem a sua soberania. E a soberania representa a dignidade do seu povo. Como todos sabem, dignidade não se negocia; e quando isso é feito, a pessoa, na verdade, não tem dignidade, mas sim mau-caratismo.

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