14/08/2026

A Abissal Diferença entre Diploma e Formação

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – http://www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

Interessante observar que um diploma não define o caráter de uma pessoa. Aliás, temos muitas pessoas diplomadas com forte desvio de caráter. Dito isso, é imperioso entender que o diploma tem que vir seguido de ética profissional, de responsabilidade social e do compromisso que o conhecimento oferece mediante sua aquisição. Balizada nisso, a diferença entre diploma e formação ganha um peso moral nessa balança, pois o primeiro se refere a apenas um título que uma instituição oferece mediante uma atividade exercida (estudo realizado por um período de tempo, desde que contemple os requisitos mínimos para a sua aquisição); em contrapartida, a formação tem em si a consciência crítica desenvolvida através do saber que foi buscado e alcançado.

Cabe pontuar que diploma sem formação é um perigo social. Isto porque uma pessoa diplomada, ao expor suas ideias errôneas, preconceituosas e/ou suas falácias, é vista como alguém que tem propriedade no que está falando; todavia, falta-lhe discernimento, e isso explicita que o caráter ou a consciência de alguém não são medidos pela régua do diploma, porque uma pessoa preconceituosa ou com desvio de caráter continuará sendo-o, mesmo tendo um diploma.

Um diploma representa, algumas vezes, um conhecimento técnico, entretanto a formação representa algo mais humanístico e coletivo. Dito isso, tomemos como exemplo pessoas com diplomas de licenciatura em História. Este diploma atesta que o indivíduo passou 4 anos lendo sobre o passado; contudo, a formação em História exige o desenvolvimento de uma consciência histórica. Sendo assim, cabe a pergunta: como um professor licenciado em História pode compactuar com o nazifascismo, com a ditadura ou até mesmo querer favorecer um novo golpe no país? A qual parte da aula ele faltou? Na verdade, a aula foi a mesma para dezenas, centenas de discentes; todavia, a falha não esteve nas aulas ministradas, esteve no caráter da própria pessoa e na completa ausência de consciência.

O conhecimento adquirido com o diploma teve o único objetivo de ascensão financeira ou vaidade intelectual, e não de transformação do ser em perceber que as ações estudadas trouxeram consequências — e a história nos mostra que atitudes assim têm precedentes e poderão ser recorrentes caso continuemos. Observe a contradição ética e lógica de um historiador que tem certo domínio sobre arquivos, fontes e historiografia dos massacres, da censura e da tortura, e faz uso de seu diploma para validar o autoritarismo. Isto é o ápice da imbecilidade e da desonestidade intelectual e moral.

Como ressaltado nos meus livros O Projeto da Ignorância: Imposição estrutural sistêmica e a imobilidade social no Brasil; Educação e a não neutralidade; Educação uma Questão de Politizar; e Educação um Ato Político — sendo os três primeiros publicados pela Ícone Editora nos anos de 2026, 2024 e 2022 e o último publicado pela Autografia em 2019 —, é salientado que a educação nunca será neutra, já que a neutralidade é conivência com o opressor e a educação é libertadora. Sendo assim, a verdadeira formação gera desconforto diante da injustiça, isso porque transforma o simples cidadão, visto como massa de manobra; ele não se sujeitará mais a ser manipulado, isso porque foi desenvolvido nele o protagonismo cognoscente, cujo cerne está em romper com as engrenagens das estruturas opressoras e manipuladoras.

Quem tem formação percebe que o conhecimento tem que ser emancipatório, e não uma forma de legitimar e até mesmo romantizar a opressão e a barbárie.

Como visto, a sociedade está cheia de cidadãos diplomados, e isso tem sido perigoso porque historiadores flertam com o fascismo, médicos negam a ciência, advogados burlam a Constituição e educadores pregam pela neutralidade da educação. Enfim, profissionais que explicitam o choque entre ter e ser, isto é, ter diploma e ser formado.

Sendo assim, que fique percebido que a formação dita a postura do cidadão mediante situações do dia a dia, demonstrando que o diploma será irrelevante se a consciência for nula e o caráter, duvidoso.

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